
“Este livro é uma recompensa ao meu lado escritor enclausurado. Enquanto me dedicava aos quadrinhos, livros infantis e ao audiovisual, alimentava o escritor com doses curtas de histórias que o apetecesse, para que ele não morresse de fome”, rebobina o autor ao PublishNews.
Composta por onze contos e uma novela, a obra de 192 páginas marca os 25 anos de carreira de Estevão e evoca personagens que transitam entre fé e conflito, memória e afeto, humor e crítica social. O livro chega com orelha de Xico Sá, quarta capa de Bianca Santana e prefácio de Marcelino Freire, que avisa:
"Odoyá, Minha Mãe, Eparrey, Oyá! É preciso ter fé para escrever. E Estevão tem à beça. Sua reza que, em vez frases, escreve orações. Música de terreiro bem brasileiro. Tem saia rodada, tem. Tem congada, tem. Não saio daqui enquanto vovô não me contar uma história trazida junto aos peixes que ele, pescador, fisgou além. No fundo do céu. A ancestralidade que cada narrativa contém".
Contente com a metáfora, Estevão comenta: “Amei ser visto pelos olhos do Marcelino, quando ele diz que os contos deste livro são como rezas. Acho que o contato com o cotidiano absurdo – ou realismo mágico, se preferir – é como rezar”.
Entre os enredos, irmãs que se reconciliam ao som dos tambores do congo (tema do seu curta-metragem de estreia como diretor), um reencontro na favela da Rocinha no sufoco da pandemia e a história de uma vendedora de bolos que enfrenta a violência policial e se torna símbolo de resistência.
São narrativas que iluminam afetos e ancestralidade, dialogando com dramas familiares e tradições populares com o humor que caracteriza o estilo do autor.
“Teve uma época que eu comecei a me deixar levar pelos que achavam que as histórias em quadrinhos eram uma expressão artística menor, mas nesses textos eu tento honrar a escola que me acolheu – os quadrinhos, que tiveram tantos adeptos e fãs, como Drummond – escrevendo com palavras”, diz o autor, em conversa com o PN.
Além da literatura, Estevão Ribeiro criou a série animada Vovó Tatá, no canal Gloobinho, que retrata o cotidiano de uma família negra. A voz da matriarca foi gravada pela polivalente Elisa Lucinda.
Ele também é roteirista da série Cidade de Deus: a luta não pára (HBO/Max), que rodou a segunda temporada este ano, ainda sem previsão de quando será exibida. Estevão também é colunista do PublishNews.






