Faroeste, barroco e pós-apocalipse em crítica à violência colonial
PublishNews, Redação, 14/07/2025
Enredo segue quatro mercenários da Coroa Portuguesa em missão para unir-se aos Guaicurus e destruir um refúgio de párias liderado pelo Sete Orelhas

Pesadelo tropical (Aboio, 224 pp, R$ 59,90), romance de Marcos Vinícius de Almeida, coloca o Brasil Colônia como um território pós-apocalíptico, onde mercenários, justiceiros e indígenas disputam espaço em uma narrativa que lembra um "faroeste barroco". Desenvolvido ao longo de sete anos — incluindo dois com bolsa da FAPESP —, o livro parte da lenda mineira de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, para explorar a violência como matriz da formação nacional. Pesadelo tropical mistura documentos reais, folclore e invenção para expor as cicatrizes de um país nascido do extermínio. O enredo segue quatro mercenários da Coroa Portuguesa em missão para unir-se aos Guaicurus e destruir um refúgio de párias liderado pelo Sete Orelhas. O romance incorpora fotografias, mapas e referências artísticas para criar uma narrativa fragmentada, onde passado e presente se confundem em um Brasil "amaldiçoado por Deus". As influências do romance são tão diversas: Almeida mescla referências ao faroeste de Cormac McCarthy, à filosofia de Walter Benjamin e ao mito grego de Apolo e Mársias.

Tags: Aboio, romance
[14/07/2025 07:00:00]