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A literatura sombria de um poeta patriótico alemão: Theodor Körner
PublishNews, Redação, 11/12/2024
Clube de Autores publica 'Theodor Körner – As Rochas de Hans Heiling e Outras Obras Fantásticas​', traduzida por Renato Aparecido Rodrigues​

“A terra, em profundíssimo luto emudece,
Sussurra da noite, o bafejo fantasmal;
Ouvi, nos carvalhos farfalha o vendaval,
Que uivante, entre muros em ruína embravece!”

Assim, começa o primeiro soneto da obra A paisagem mortuária de Friedrich, homenagem ao influente pintor alemão Caspar David Friedrich, o qual representava em telas, as inquietações do Romantismo. Aliás, os versos em questão, foram escritos por um compatrício romântico enaltecido por seu país, durante várias gerações: Karl Theodor Körner. Porém, este não era conhecido por poesias lúgubres, e sim pelas de tom patriótico, pois serviu militarmente, junto de outros conterrâneos, contra as tropas francesas, durante as Guerras Napoleônicas. Morreu heroicamente, em batalha.

Como poeta, compôs nos interregnos marciais, inúmeros versos a exaltar a bravura germânica. E infelizmente, um pequeno legado de obras suas que destoavam disso, foram lançadas ao esquecimento, obras essas, que interagiam com o fantástico. De tal segmento, deixou poemas e contos que alternavam entre o romântico, o gótico e o maravilhoso. A qualidade de sua literatura fantástica não devia nada à tragédia Fausto, de Goethe, ou ao romance Os Elixires do Diabo, de Hoffmann, por exemplo.

Körner foi um dos grandes expoentes do segmento fantástico em sua pátria, contribuindo para tornar a então Alemanha romântica, um dos centros mais influentes de propagação dessa fração estilística. Segue abaixo, um trecho do miniconto A Harpa, presente na seleta brasileira aqui apresentada, As rochas de Hans Heiling e outras obras fantásticas, e em coletâneas de literatura gótica, como as organizadas pelo célebre antologista britânico Peter Haining:

“Sellner manteve o aposento de Josefa nas mesmas condições em que estava, anteriormente à morte dela. Sobre a mesa de costura, ainda jaziam os utensílios, e silenciosa e intocada, permanecia a harpa num canto. Ele, todas as noites peregrinava até o santuário de seu amor, e trazendo consigo a flauta, recostava-se à janela, como nos afortunados tempos de outrora, e soprava em tons plangentes, a nostalgia por aquele tão adorado vulto. – Numa dessas ocasiões, encontrava-se nas dependências de Josefa, absorto em suas fantasias. Uma iluminada noite de luar o afagava pela escancarada fenestra, e da torre do castelo adjacente, o atalaia anunciou a nona hora; então, de repente, a harpa ressoou pelas próprias notas, como se dedilhada por um bafejo fantasmagórico. Estupendamente assombrado, ele silenciou a flauta, e com isso, a harpa também emudeceu. Sellner, em seguida, tomado de leve tremor, começou a música predileta de Josefa, e aquelas cordas logo executaram melodias cada vez mais elevadas e pujantes, cujos tons se entrelaçavam na mais sublime harmonia.”

Informações da contracapa: Theodor Körner, escritor e militar alemão de morte precoce, a qual ocorreu durante as Guerras Napoleônicas, foi aclamado com a obra póstuma Lira e Espada (Leyer und Schwerdt), uma coleção de poemas ardorosamente patrióticos que exaltam a resistência germânica contra as tropas francesas. Porém, esse não foi o único legado que deixou à literatura de seu país. Körner fez parte de uma família extremamente culta, a qual tinha relações de amizade com personalidades proeminentes das letras alemãs, como Goethe, Novalis e Schiller. Deste último, aliás, o autor recebeu forte influência lírica. A interação com o conterrâneo escol literário da época lhe propiciou uma consistente formação artística, além de que Körner enveredou, ainda que discretamente, por um estilo então ascendente na Alemanha: o fantástico. De tal segmento, outro legado surgiu. Numa antologia belamente ilustrada, cujas obras conversam com o romântico, o gótico e o maravilhoso, o escritor nos apresenta o lendário personagem Hans Heiling, presente num conto emblemático que influiu na concepção da famosa ópera homônima de Heinrich Marschner, assim como nos direciona às personagens Rosa Fiel e Wallhaide, de poemas fantasmagóricos os quais foram magistralmente musicados por Carl Loewe. A imersão nesses escritos confere ao leitor sequioso por maldições sobrenaturais, espectros, entidades e sortilégios, uma experiência gratificadora.

Theodor Körner – As rochas de Hans Heiling e outras obras fantásticas
Tradução: Renato Aparecido Rodrigues
Páginas: 116
Preço: R$ 59,47
Onde comprar: Clube de Autores

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