
Segundo a editora, quando criança, Iara se fascinou diante da beleza de um copo de vidro ensaboado e lavado por ela mesma na pia da cozinha. O momento pueril lançou a menina numa espécie de iluminação e ali ela intuiu que queria ser empregada doméstica quando crescesse. Ao compartilhar a ideia com os adultos ao redor foi desautorizada a seguir com o plano, taxado de esquisito pelos familiares. O desconforto do episódio, carregado de simbolismo, atravessa décadas, alia-se a outros sentimentos e vivências, e transborda na escrita da autora.
Marias de pedra e mel é formado por nove contos curtos. Em cada um destaca-se uma mulher, uma Maria que dá nome ao capítulo. O livro inicia com Maria da Penha e encerra com Maria de Jesus. As tramas revelam violências físicas e simbólicas, abandono, opressão e autoritarismo, mas também a força, sonhos e desejos dessas mulheres. A maternidade e a religiosidade também estão presentes na obra.







