Diários de Londres: topei com a rainha, mas ainda não pisei num pub
PublishNews, Leonardo Neto, 12/03/2019
Leonardo Neto está em Londres onde concorre ao Excellence Awards. De lá, ele manda suas primeiras impressões da cidade e da Feira do Livro de Londres, aberta oficialmente nesta terça (12).

Sempre que há brasileiros em grandes feiras internacionais, o PublishNews dá um jeitinho de convencer algum estreante a fazer uma série diária com as suas impressões sobre o evento. Dessa vez, eu resolvi eu mesmo encarar essa missão. Não só porque essa é a minha primeira vez na Feira do Livro de Londres (a minha primeira vez em Londres, pra ser exato), mas sobretudo porque a decisão sobre a minha vinda foi tomada tão em cima do laço e por uma razão tão especial que não me ocorreu escalar alguém, nem a mim mesmo pra ser sincero. Acabei de chegar no hotel e tomar essa decisão (rs).

Bom... Londres é aquilo que você, mesmo nunca tendo pisado aqui, sabe: uma cidade frenética, um sistema metroviário exemplar, muita gente nas ruas, muitas atrações pra ver, muitas histórias sobre a família real pra conhecer, a London Eye, o Big Ben, os ônibus double deck vermelhos, a Tower Bridge, o fish and chips etc etc etc...

E estou tentando entrar no clima dessa (boa) confusão toda. Hoje, depois do Quantum Conference (você pode ler a minha primeira matéria clicando aqui), saí pra passear um pouco. Passei por alguns dos lugares que cito acima e, pasme, tive a chance de ver a comitiva real com a rainha e o seu filho, o príncipe Andrew, passando, a caminho da Abadia de Westminster onde foram celebrar o Commonwealth Day. No fim, fiquei sem bateria (a minha e a do celular) e tive que voltar pra “casa” sozinho, sem a muleta do GPS. E cheguei. Se tem um orgulho nessa vida é de ter conseguido fazer isso...

Mas queria antes de encerrar esse primeiro capítulo do meu diário, dar as minhas primeiras impressões sobre o evento. A feira começa pra valer só amanhã, mas hoje teve um esquenta, com a Quantum. Tudo bem organizado, com relativo cumprimento dos horários. O único senão neste sentido ficou por conta do ator Christopher Eccleston, o próprio Doctor da primeira temporada moderna da série Doctor Who. Ele estava escalado para uma das mesas, se atrasou e deu uma pequena bagunçada no coreto, mas por fim, tudo se encaixou. Entre um intervalo e outro um coffee break (nunca vi um coffee break tão literal, já que serviram café com língua como dizem lá na minha terra) e providenciaram também um almoço, servido em uma espécie de potinhos de papel descartáveis. Comi uma salada e um frango que flertava com o oriente (um cuscuz com gosto de curry e sementes de romã). E boas discussões e boas ideias me surgiram: a programação da Casa PublishNews na Flip que me aguarde...

Agora, 21h, para aqueles que dizem que levo a vida na flauta e que viajo para a farra literária, estou em "casa", de banho tomado e começando a fazer as minhas contribuições para a edição do PublishNews dessa terça-feira (hoje pra vocês e amanhã pra mim).

A propósito, falando sobre amanhã, sinto aquele friozinho na barriga de pensar que estou finalista do Excellence Awards. O prêmio é dado pela própria feira e pela UK Publishers Association e contempla 18 categorias. Concorro entre os melhores jornalistas na cobertura do mercado editorial. Os vencedores serão conhecidos logo mais, às 19h (horário daqui). Não consigo avaliar as chances que tenho e nem mesmo pensar quem dos meus brilhantes concorrentes merecem mais do que eu esse troféu, mas o fato é que me sinto já um vencedor, estou feliz, orgulhoso e, às vezes, preciso me beliscar pra saber que é verdade que estou aqui pra isso.

Junto comigo, outros dois brasileiros concorrem: a Biblioteca Villa-Lobos, de São Paulo, como melhor biblioteca, e a Ed5, como melhor consórcio de livros acessíveis. De tudo isso, torço pra que pelo menos um de nós embarque de volta com esse troféu na mão! Amanhã conto mais.

[12/03/2019 07:00:00]