Bancos questionam pagamentos ‘não essenciais’ à manutenção da Cultura, diz Folha
PublishNews, Redação, 23/01/2019
Entre os questionamentos estão pagamentos feitos a sócios, diretores e membros do conselho de administração da empresa que está em recuperação judicial

Os bancos do Brasil, Itaú e Bradesco entraram na Justiça para questionar pagamentos feitos pela Livraria Cultura a sócios, diretores e membros do conselho de administração em meio ao processo de recuperação judicial (RJ) da empresa. As informações são da Folha de S.Paulo. O juiz Marcelo Barbosa Sacramone, responsável pelo processo, havia determinado a liberação de valores nessas instituições bancárias com o fim de a livraria pagar despesas essenciais para a manutenção de suas atividades. 

O que, no entanto, alega o Itaú é que esse dinheiro foi usado em pagamentos não essenciais, incluindo transferência de valores a executivos e conselheiros. Se comprovado, esse fato pode caracterizar favorecimento a esses credores, o que é vedado pela legislação, com previsão de pena de reclusão e multa. Segundo o Itaú, uma cifra que beira R$ 1 milhão teve sua destinação não comprovada e questiona ainda gastos realizados por meio de cartões corporativos. 

Já Bradesco e Banco do Brasil fizeram questionamentos que permanecem sob segredo de justiça, mas também questionam, segundo apurou a Folha, a essencialidade dos gastos feitos pela livraria.

À Folha, a Cultura afirmou que as alegações do Itaú não estão corretas e não procedem. Disse ainda que os pagamentos foram apresentados detalhadamente ao juiz. “O que o Itaú está chamando de pró-labore de diretores é o pagamento de salário de todos os funcionários”, disse a livraria à Folha.

Sacramone não atendeu o pedido do Itaú de travar as contas da Cultura, mas ordenou à recuperanda a apresentação de todos os extratos bancários e marcou audiência de conciliação para o próximo dia 29.

Procurada, via assessoria de imprensa, a Cultura não se manifestou até o fechamento desta edição.

[23/01/2019 09:38:56]