Receitas desabam e prejuízo dobra no terceiro trimestre da Saraiva
PublishNews, Redação, 13/11/2018
Empresa que enfrenta dificuldades financeiras apresentou no fim da tarde desta segunda-feira os resultados do terceiro trimestre do ano

Relatório com resultados do terceiro trimestre da Saraiva aponta prejuízo líquido de R$ 66,6 milhões | © Humberto Sousa
Relatório com resultados do terceiro trimestre da Saraiva aponta prejuízo líquido de R$ 66,6 milhões | © Humberto Sousa
A Saraiva publicou, no fim da tarde desta segunda-feira (12), relatório com os seus resultados do terceiro trimestre de 2018. No momento em que o principal varejista no segmento de livros no país passa por uma profunda crise, esses resultados eram esperados com muita ansiedade tanto por investidores quanto pelas pessoas que trabalham com livros. O que se viu no relatório foi o desabamento das receitas brutas da rede. Na comparação com igual período de 2017, o tombo foi de 19,4%, fechando o terceiro trimestre em R$ 329,3 milhões. O e-commerce, que vinha apresentando bons resultados e constantes crescimentos, teve queda de 26,1% das suas receitas brutas.

A companhia informa aos seus acionistas que essa queda é resultado do início da descontinuação da categoria eletrônicos, cujo abastecimento foi sendo reduzido gradualmente ao longo do trimestre. Mas há que se pesar aqui a suspensão de fornecimento de produtos por parte de muitos dos credores da empresa. Em valor, os estoques da empresa sofreram queda de 14,4% na comparação com o terceiro trimestre de 2017.

Nos nove primeiros meses do ano, a receita bruta é de R$ 1,33 bilhão, queda de 1,6% na comparação com o acumulado de 2017.

A queda nas receitas afetou o lucro da empresa que fechou o terceiro trimestre no vermelho, com prejuízo líquido de R$ 66,6 milhões. Essa cifra é por pouco o dobro da apurada no terceiro trimestre do ano passado. O que também praticamente dobrou foi o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) que ficou negativo em R$ 49,4 milhões, alta de 90,6% na comparação com igual período do ano passado. No acumulado do ano, o Ebitda é negativo em R$ 54,3 milhões, quase seis vezes maior do que o apurado nos nove primeiros meses de 2017, quando ficou em R$ 8,1 milhões negativos.

Recuperação

Em teleconferência realizada nesta terça-feira, Henrique Dau Cugnasca, diretor financeiro da empresa, disse acreditar numa retomada e que o fechamento de 19 lojas, a saída do segmento de tecnologia e a demissão de 700 funcionários faz parte da estratégia para que isso aconteça. “Confiamos plenamente no crescimento e na recuperação do mercado de livros no Brasil”, disse. “Iniciamos uma extensa renegociação de nosso cronograma de pagamentos por meio de um novo modelo de pagamento para a ampla e pulverizada base de fornecedores do Varejo, buscando assim, datas mais flexíveis. Caso a repactuação do passivo com seus fornecedores não tenha o resultado esperado, outras alternativas de proteção financeira serão avaliadas, de modo a preservar a continuidade da Companhia. O caminho a ser seguido dependerá do resultado final das contínuas conversas mantidas entre a Saraiva e seus principais credores”, encerrou sem abrir espaço para perguntas, o que normalmente acontece nesse tipo de apresentação.

É sabido que os maiores players do mercado editorial – representados pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) – já disseram não à proposta de uma recuperação extrajudicial. Editores que se reuniram com a Saraiva nos últimos dias ouviram da direção da casa que a saída será mesmo a recuperação judicial, a exemplo de o que está acontecendo com a Cultura, o segundo mais relevante player do varejo de livros do Brasil.

Tags: Saraiva
[13/11/2018 10:04:00]