Direitos Humanos norteiam primeira conferência da Feira de Frankfurt
PublishNews, Talita Facchini, 09/10/2018
Com forte discurso da autora Chimamanda Ngozi Adichie, conferência para a imprensa focou na preservação dos direitos humanos. "É tempo de começarmos a pensar no próximo".

Chimamanda Agozi Adichie na conferência de abertura para a imprensa da 70ª Feira do Livro de Frankfurt | Talita Facchini
Chimamanda Agozi Adichie na conferência de abertura para a imprensa da 70ª Feira do Livro de Frankfurt | Talita Facchini
Na manhã desta terça-feira, antes da abertura oficial da 70ª edição da Feira do Livro de Frankfurt, jornalistas de diversos países se reuniram no Frankfurt Pavilion para a conferência de abertura que contou com a presença de Juergen Boos, diretor geral da Feira, Heinrich Riethmüller, presidente da Associação Alemã de Editores e de Livreiros, e Chimamanda Agozi Adichie, escritora nigeriana radicada nos EUA. Em comum, os três discursos focaram nos direitos humanos, no papel que a literatura tem no processo da sua garantia e continuaram com o clima político adotado nas últimas edições.

Este ano, a Feira de Frankfurt e as Nações Unidas lançaram a campanha #OnTheSamePage, que pede o apoio da indústria mundial do livro na garantia do respeito aos direitos humanos. “Todas as pessoas são livres e iguais, queremos explicar que todos nós devemos contribuir para que os direitos de toda e qualquer pessoa seja respeitado para que assim tenhamos uma sociedade livre e igualitária”, lembrou Heinrich em seu discurso.  O presidente da Associação Alemã de Editores e de Livreiros também mencionou a situação da Turquia, país com o maior número de jornalistas presos e que foi tema da abertura da feira em 2017. “Nós exigimos que todas essas pessoas sejam liberadas. Não podemos mais tolerar que elas sejam impedidas de ser livres”, frisou.

Heinrich ainda deu um panorama sobre o que veremos na feira este ano: o evento terá 7,5 mil expositores, um aumento de 3% em relação ao ano anterior, sendo que 70% deles são internacionais, vindos de 110 países, e lembrou que o desafio ainda é grande e que todas as editoras, grandes e pequenas devem discutir juntas e achar uma maneira para fazer com que o mercado de livros continue crescendo. Já Juergen Boos focou seu discurso no dinamismo da feira, na missão de trazer as editoras para mais perto dos leitores e mais uma vez, no respeito aos direitos humanos. “Devemos respeitar a escolha de cada pessoa de pertencer onde ela quiser”, lembrou.

O ponto alto da conferência foi o discurso de Chimamanda. Muito aplaudida, a autora nigeriana deu uma aula sobre respeito, igualdade e citou diversos casos ao redor do mundo onde diversas pessoas, principalmente as mulheres, têm seus direitos prejudicados. “Se através da minha escrita e do meu papel como cidadã, eu conseguir mudar o pensamento de uma pessoa e fazer ela pensar no outro, eu já vou me sentir muito melhor. Devemos sempre pensar em novos jeitos de agir e rever nossas atitudes, é tempo de termos coragem para fazer com que todos tenham seus direitos garantidos”.

Ícone feminista, Chimamanda também fez um apelo para que a literatura feita pelas mulheres seja mais lida. “Também é tempo de focarmos no que as mulheres querem, e nós queremos simplesmente querem ser ouvidas, lembradas e respeitadas. Temos o costume de não sentirmos empatia pelos problemas das outras pessoas, e por isso, as mulheres ainda são invisíveis. É tempo de mudarmos isso e começarmos a pensar no próximo”. Para finalizar, a autora lembrou do papel da literatura na sociedade. “Literatura ensina, literatura importa”, e assim como lembrou Jurgen, frisou que precisamos de narrativas fortes para nos tornarmos mais humanos.

O PublishNews inaugura nesta edição da Feira do Livro de Frankfurt, uma seção chamada Frankfurtianas na qual traz pílulas da cobertura do evento. Para acessar a Frankfurtianas de hoje, clique aqui.

[09/10/2018 08:00:00]