Quantos livros reimprimir? Nova plataforma ajuda a responder a essa pergunta.
PublishNews, Leonardo Neto, 08/08/2018
SoSimple usa de inferências estatísticas para recomendar a quantidade de exemplares a serem reimpressos. Companhia das Letras e LeYa já estão usando o serviço.

Flávio Botana e Leonardo Ferreira são os diretores da SoSimple | © Divulgação
Flávio Botana e Leonardo Ferreira são os diretores da SoSimple | © Divulgação

A decisão de quantos exemplares imprimir quando se pensa em uma nova tiragem pode ser uma questão crucial no negócio do livro. Muitos editores focam no custo unitário e deixam de lado a demanda que o título ainda pode ter. Uma decisão errada nesse momento pode empatar um capital de giro necessário para um outro lançamento, bagunçar o fluxo de caixa de uma editora e colocar em risco a sua atividade. É, portanto, uma decisão estratégica importante dentro de uma editora e agora uma plataforma quer dar respostas a isso. Foi a partir da constatação dessa necessidade que o administrador Leonardo Ferreira e engenheiro mecânico Flávio Botana, que acumulam experiências na Lis Gráfica, resolveram lançar a SoSimple, um serviço que, por meio de inferências estatísticas, consegue quantificar o número de exemplares a serem reimpressos. “Queremos que nossos clientes tenham ciclos mais curtos e não precisem ter tanto estoque”, explicou Leonardo em uma conversa que teve com o PublishNews.

Para testar a viabilidade e a capacidade de resolver essa questão estratégica das editoras, o serviço foi implantado na Interlítera, editora paulistana que se especializou na publicação de livros espíritas, de autoajuda e de desenvolvimento pessoal. O serviço foi testado lá por três meses e, nesse período, notou-se a redução de 5% dos estoques da editora, segundo reportaram os diretores da empresa. Hoje, o serviço já é utilizado pela Companhia das Letras e pela LeYa / Casa da Palavra.

Para chegar a essa resposta, a SoSimple toma por base os números de vendas das últimas 12 semanas e a quantidade de exemplares em estoque, incluindo aqui o que está consignado. “Uma parte desse serviço é estatística, outra parte é relacionada aos custos e uma terceira é feeling mesmo”, comentou Flávio. “Preferimos ter um cliente imprimindo menos para sempre do que ter uma editora que entope seus estoques com uma alta tiragem e morre com ele cheio de livros. Preciso ter clientes saudáveis, já que cliente morto não paga conta”, completou Leonardo. Embora a SoSimple esteja ligada a uma gráfica, não há nenhuma obrigação de que a impressão seja feita pela Lis.

Há uma taxa operacional mensal fixa que varia de R$ 1 a R$ 5 por título, conforme o tamanho do catálogo da editora. Casas com até 100 títulos no catálogo, por exemplo, pagam R$ 5. As que têm mais de seis mil títulos pagam R$ 1. Além disso, a SoSimple é remunerada pela sua performance. Se a editora tiver um ganho por ter diminuído o seu estoque ou o giro do estoque, a SoSimple recebe, a cada três meses, um percentual desse valor. “Resumindo, cobramos um custo fixo mensal muito baixo e um custo variável trimestral em cima do resultado. Por isso, dizemos que o risco da editora é zero. Se o nosso trabalho der resultado, nós somos remunerados. Se não der, ganhamos somente o valor fixo mensal que, repito, é muito baixo”, defendeu Leonardo.

O serviço está sendo lançado durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. No pavilhão do Anhembi, a SoSimple está sendo apresentada no estande da LeYa (H028).

[08/08/2018 10:00:00]