Em abril deste ano, na Feira do Livro de Londres, a associação nacional dos livreiros de lá distribuiu bolsas de pano com os dizeres “Books are my bag” – cuja tradução em português poderia facilmente passar um duplo sentido, mas que significa algo como “livros carregam meu conteúdo”. Era uma prévia de uma campanha que visa conscientizar os leitores e combater a queda de vendas em livrarias no Reino Unido. Nesse final de semana começa de fato a campanha, que conseguiu apoio de famosos como o cozinheiro popstar Jamie Oliver e os atores Bill Nighy e Damian Lewis e das editoras do grupo Big Six, Bloomsbury e grupo Faber, entre outros.As livrarias, claro, também estão participando. Além das independentes, grandes redes como W H Smith e Waterstones estão preparando uma ‘festa’ para o lançamento da campanha, no próximo dia 14.
As livrarias do Reino Unido vêm perdendo espaço para o comércio online e sofrendo o baque do livro digital (assim como nos Estados Unidos e resto da Europa). Um exemplo marcante da crise do setor é o caso da Waterstones, que promoveu recentemente uma enorme reestruturação: dos 487 gerentes da rede, cerca de 200 deixaram o cargo no processo.
Por trás da crise, segundo Tim Godfray, diretor executivo da Associação dos Livreiros do Reino Unido, está a Amazon. O diretor afirmou recentemente que “está sendo impossível para os livreiros competir com um player tão enorme e que tem tanto controle do mercado de livros. O número de adesões da associação vem declinando continuamente ao longo dos anos, e a principal razão para o fim das livrarias é a Amazon. As escolhas dos consumidores estão se reduzindo e comunidades estão perdendo suas livrarias”.
A esperança parece estar mesmo na campanha “Books are my bag”. Godfray declarou que espera ver um “mar laranja” este fim de semana em todo o país. Se o apelo à consciência do consumidor será mais forte que conveniência e preços baixos, só o tempo poderá dizer. A única conclusão por enquanto é que o laranja, da Amazon às independentes, é a cor da estação.






