Na praça do coreto
PublishNews, Cassia Carrenho, 17/06/2013
Festival da Mantiqueira reuniu grandes nomes da literatura e poesia brasileira

O VI Festival da Mantiqueira aconteceu entre os dias 14 e 16 de junho em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos. Mais precisamente na praça da cidade onde, como uma típica cidade de interior, fica a igreja e o coreto.

O tema principal do festival foi "Regiões da literatura", que trouxe a reflexão sobre como tempo e lugar influenciam a criação literária. As atividades foram divididas entre a tenda principal e espaços para palestras, além do coreto da cidade, que recebeu apresentações artísticas e musicais. A abertura contou com a presença de Toquinho, que mesmo afônico, e com muita ajuda da plateia, celebrou a vida de Vinicius de Moraes com música e “causos”.

Vários poetas participaram do evento, inclusive comporam uma mesa só sobre poesia. Carlito Azevedo, Tarso Melo e Micheliny Verunschk falaram sobre como a poesia, cheia de morte, caos e desconstrução vai contra o que é mais consumido hoje, o livro de autoajuda. Outra conclusão que a mesa – e a plateia – chegou, foi a necessidade de apresentar a poesia às crianças livremente, sem que elas tenham que sentir ou entender alguma coisa. Heitor Ferraz, curador do evento, contou que fez questão de ter essa mesa, e ressaltou que é muito comum autores conhecidos no gênero da prosa terem começado na poesia.

Outra mesa de destaque foi “Diálogos com cinema e TV”, com Fernando Bonassi, Josè Roberto Torero e Lauro César Muniz. Falaram muito sobre as principais diferenças dos meios de trabalho e como é necessário ter uma postura diferente em cada uma. Bonassi inclusive lembrou: “Nós trabalhamos para uma indústria cultural, não para a arte”. Todos concordaram que o cinema e TV e a literatura tem uma ótima parceria, mas Torero ressaltou que tudo começa na literatura.

Apesar dos grandes nomes que passaram pelo palco principal, como Luiz Ruffato, Cadão Volpato, Humberto Werneck, Reinaldo Moraes entre outros, em todas as mesas o clima era de papo entre amigos.

Já na sala de palestras o grande destaque foi o poeta Chacal, que levou muitas pessoas às lágrimas com seus poemas e histórias. Por lá também passaram Raquel Cozer, jornalista de literatura da Folha, Paulo Lins, autor de Cidade de Deus e muitos autores locais.

Pensando no legado para o distrito, os organizadores fizeram uma parceria com a APAA (Associação Paulista de Amigos da Arte), que previamente selecionou 20 adolescentes de duas escolas públicas da cidade para participar do projeto Imprensa Jovem. Durante o festival esses jovens tiveram oficinas sobre arte, música, vídeo, edição e foram responsáveis por parte da cobertura do evento. Munidos de um colete de imprensa, câmeras, microfones e muito entusiasmo, eles filmaram e fotografaram as palestras que depois serão editadas e colocadas na internet. O tímido Carlos, de 15 anos, confessou, com uma câmera fotográfica na mão, que era aquilo o que ele queria fazer quando crescer. Não tem como não pensar na obra Cidade de Deus e lembrar que, mais uma vez, a vida imita a arte.

[17/06/2013 00:00:00]