Drummond sob holofotes na 1ª noite da Flip
PublishNews, Redação, 05/07/2012
Festa começa com abertura breve e descontraída de Verissimo, para depois dar lugar a análises de viés político sobre a obra de Drummond

Na abertura da Clip, ops, Flip, Luis Fernando Verissimo lembrou justamente a “gafe” de quatro anos atrás, quando, durante a participação em uma mesa da Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor trocou o nome do evento. Com uma fala curta na noite de ontem, que inaugurou a 10ª edição da festa, ele brincou dizendo que a troca do F pelo C foi consciente, e quem não entendeu foi a plateia: C de “conspiração para tornar a todos mais inteligentes” e C de “celebração do livro e da literatura”, entre outras definições.

Após a inauguração descontraída, foi a vez de os escritores e ensaístas Silviano Santiago e Antonio Cícero falarem sobre Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o homenageado da Flip 2012.

O primeiro traçou um panorama da obra de Drummond, tarefa que de antemão classificou como “inglória”. Com um tom acadêmico, Santiago reconstituiu o contexto político e social no qual o poeta mineiro cresceu e atuou, mostrando que sua obra reflete uma dicotomia: de um lado, os antigos e conservadores valores da oligarquia mineira e da classe dominante; de outro, a rebeldia, o combate desses valores e a identificação com as correntes de esquerda.

Já Antonio Cícero optou por uma conferência focada, concentrando-se no poema "A Flor e a Náusea", de 1945, publicado originalmente em A rosa do povo. E fez uma bela exposição que terminou com aplausos calorosos da plateia. Estrofe a estrofe, o escritor, compositor e filósofo mostrou, entre muitos aspectos, como Drummond articula nos versos a percepção contemporânea dos seres humanos como “coisas” e a dos objetos, ou mercadorias (em referência às reflexões de Karl Marx), como “seres”. Essa inversão faz o indivíduo do poema caminhar pela cidade nauseado e solitário, até ele voltar a encontrar um sentido nos acontecimentos corriqueiros.

[05/07/2012 00:00:00]