Literatura à noite
PublishNews, Maria Fernanda Rodrigues, 25/08/2011
Jovens a partir dos 14 anos participam pela primeira vez da Jornada

Na última década, a Jornadinha Nacional de Literatura vem ajudando professores de Passo Fundo e cidades próximas a despertar o prazer da leitura na molecada. Mas uma geração de ex-participantes do evento infantil ainda sem idade para participar da Jornada ficou de fora da programação por um tempo. Neste ano, a organização resolveu abrir um espaço para esses adolescentes e criou a Jornight.

Na noite desta quarta-feira, dia 24, 1.500 jovens lotaram a lona para ouvir os gêmeos: Fábio Moon e Gabriel Bá e Chico e Paulo Caruso. Na terça, Elisa Lucinda foi a convidada. Hoje, Humberto Gessinger e Jairo Bouer conversam com os participantes antes do show da Pauca Vogal, nova banda de Gessinger.

Entre os assuntos tratados pelos irmãos quadrinistas estavam a expansão do mercado de HQ no Brasil, as influências, adaptações de clássicos e a relação com o leitor. “A experiência da leitura depende do leitor. É com ele que os desenhos se juntam e ganham movimento. A gente aprende a escrever e a desenhar, mas é com o leitor que a história acontece”, disse Fábio.

E todas as pessoas, mesmo aquelas que não estão acostumadas a ler quadrinhos, podem se interessar por essa linguagem (desde que se identifiquem com o tema). Muito frequentes nas prateleiras e mochilas dos estudantes, as adaptações de clássicos, se bem feitas, podem agradar tanto o público dos quadrinhos quanto os leitores do livro original, acredita Fábio. “O desafio de adaptar um livro é entender a história e conseguir utilizar as ferramentas que a linguagem oferece para contar essa história”, disse Gabriel. Para Fábio, uma boa adaptação pode levar os jovens aos clássicos e pode aumentar a visibilidade dos dois autores – e, como consequência, levar esses leitores a procurar outras obras desses autores.

Sobre a expansão do mercado, Fábio lembrou que no começo dos anos 2000 não havia nenhuma editora de quadrinhos no Brasil (exceto a que publicava os gibis da Mônica). Para manter o mercado aquecido e os leitores interessados, os autores devem continuar produzindo com qualidade.

Chico e Paulo Caruso foram influenciados pelo avô, um pintor amador. Já Fábio e Gabriel viam a mãe lendo todo o tipo de quadrinhos quando eram pequenos. As duas duplas passaram a infância desenhando juntos. “Nosso trabalho vem da infância e a família sempre apoiou. E o que era diversão virou arte”, comentou Paulo, que se considera o precursor da graphic novel no Brasil. “Fui o primeiro a fazer uma graphic novel, mas naquela época não chamava assim.” Foi um trabalho que durou seis meses para produzir e 10 anos pra vender. Nessa época, então, que ele viu como era difícil viver disso e foi desenhar para jornal.

Durante a apresentação, eles mostraram desenhos feitos em meio eletrônico por Aroeira e fizeram um show.

Aos aspirantes a desenhistas, Gabriel deixou a dica: “É importante saber o que se quer, não desistir daquilo e trabalhar. Uma hora essas duas coisas vão virar a mesma coisa”.
[25/08/2011 00:00:00]