Construindo uma comunidade de leitores
PublishNews, Gabriela Nascimento, 28/07/2011
Joseph Craven dá dicas de como editoras podem montar comunidades verticais e lucrar com isso

Uma grande oportunidade para as editoras no mundo digital é a possibilidade de criar websites voltados para pessoas que procuram informações detalhadas sobre assuntos que lhe interessam. Foi isso que disse Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, editora da Barnes & Noble, em sua palestra “Comunidades verticais desenvolvidas por editores: Um mundo e novas oportunidades”, durante o 2º Congresso Internacional do Livro Digital. “Como editoras, nós não somos impressoras de livros, mas criadoras de conteúdo e nosso trabalho, agora, é entregar esses conteúdos em diversos formatos e plataformas”, explicou.

Para ele, deve existir um casamento entre novas ideias e conteúdo de qualidade, pois formas inovadoras não valem nada se não existir o conteúdo. Mas este também não tem valor se não for distribuído. Num mundo digital, é preciso aproveitar as oportunidades de distribuir esses conteúdos para as pessoas e entre as opções disponíveis no mercado atual para realizar essa ação estão os e-books, aplicativos e as comunidades verticais, assunto sobre o qual veio falar no Brasil.

As comunidades são websites criados pelas editoras com o objetivo de atrair pessoas com interesses específicos sobre o qual querem saber mais. Esses sites podem ser focados em um determinado gênero de literatura, em um único autor, ou mesmo em dicas e serviços relacionados a hobbies e profissões. Craven, que traz no currículo a experiência de criação de uma comunidade de amantes da fotografia no Pixiq, explicou que para que esse tipo de investimento dê certo, é preciso conhecer o seu público e entender seus interesses e gostos. Uma editora especializada em livros de viagens pode, por exemplo, criar uma comunidade para que pessoas que gostam de viajar troquem informações sobre destinos e passeios. Independente do assunto, é importante que o site proporcione para as pessoas a sensação de que fazem parte de uma comunidade e que esta comunidade é única e tem atrativos que não podem ser encontrados em outro lugar.

Por si só, a criação dessas comunidades pode parecer um investimento que não trará retorno financeiro, mas, segundo Craven, a editora pode usar essas comunidades para divulgar sua marca e vender, indiretamente, seus livros. Uma editora com um forte acervo de livros de ficção científica pode criar uma comunidade para fãs do gênero e, lá mesmo, divulgar e vender seus lançamentos. Porém, ele afirma que é necessário tomar cuidado ao oferecer suas publicações, pois o site deve ser uma comunidade e não uma livraria, e uma estratégia de venda direta e agressiva pode espantar as pessoas.

Além da venda de livros e publicidades, ele sugeriu que as editoras interessadas nesse tipo de negócio pensem em estratégias diferentes, como oferecer conteúdo especial para quem quiser ser assinante, vender produtos de terceiros que tenham relação com o conteúdo do site, licenciar o que é produzido para outros sites e promover eventos e festivais não virtuais para os integrantes das comunidades.

Para os interessados em montar seus sites, Craven contou que a primeira coisa que deve fazer é encontrar uma lacuna no mercado, focar em um assunto cuja demanda exista, mas que ainda não seja suprida por ninguém. Depois, é necessário fazer um plano de negócios adaptável, com o objetivo de dar uma ideia do que será feito, mas aberto para mudanças ao longo do caminho. É essencial que a editora tenha objetivos claros com esse projeto, que escolha bem a equipe que irá produzir e administrar o site, e que também tenha certeza de que ele é funcional e que o conteúdo pode ser facilmente identificado e encontrado. Para as editoras brasileiras, ele sugeriu também a possibilidade de fazer acordos com empresas estrangeiras que já tenham uma comunidade parecida com o que desejam fazer e investir na tradução desse conteúdo.

Na hora de lançar o site, Craven diz que é imprescindível ouvir a comunidade e ser capaz de se adaptar perante as críticas, além de saber que, num site, o trabalho nunca acaba: “Não é um livro, é um organismo vivo e as pessoas querem que aquilo seja renovado”.
[28/07/2011 00:00:00]