Diretor de “Shoah”, documentário que representou para a história do Holocausto no cinema o que a obra de Primo Levi significou para a literatura, Claude Lanzmann é herdeiro de uma nobre linhagem de intelectuais franceses para quem o pensamento, a ação, a rebeldia e mesmo a sexualidade sempre ocuparam a mesma órbita. Como Sartre e Simone de Beauvoir (de quem foi amante), Lanzmann tem uma trajetória calcada na insatisfação e na busca permanente pela honestidade intelectual. Em A lebre da patagônia (Companhia das Letras, 472 pp., R$ 59 - Eduardo Brandão e Dorothée de Bruchard), Lanzmann faz um autoexame profundo e se apresenta como um intelectual que se diz dado a peripécias (pilotou aviões, escalou montanhas, foi dos poucos ocidentais a conseguir entrar na Coreia do Norte) e em seguida declara candidamente que a coragem e a covardia são os eixos de sua vida. [Claude Lansmann estará na Flip, onde participa da mesa “A ética da representação”, no dia 8 de julho, às 19h30.]






