Há tempos a Fagga queria fazer uma Bienal do Livro no Paraná e este ano, finalmente, conseguiu. Com uma área total de 6.400 m2, seu tamanho não se compara às outras feiras que organiza – a do Rio, que no ano que vem chega à 15ª edição; a da Bahia e de Minas. Mas é aconchegante, simpática e já no primeiro fim de semana agradou o curitibano que lotou as sessões do Café Literário. A seu favor estava o tempo. Chovia e fazia frio, e melhor do que um passeio no parque só um volta numa megalivraria. E que São Pedro continue colaborando.
O modelo da feira é muito semelhante ao das outras. Muda uma cor aqui, outra ali, mas a essência, e que já provou que funciona, é a mesmo. Uma outra coisa boa dessa bienal foi o local escolhido. O Estação Convention Center tem uma localização central e fica no 9º andar do Shopping Estação.
“A Fagga namorou durante um tempo a ideia de levar uma Bienal ao Paraná. Conversamos com os players, conhecemos outras tentativas e sempre procuramos trabalhar com parceiros locais para não perder a identidade”, conta Tatiana Zaccaro, gerente de Negócios da Fagga | GL events. Para ajudá-los na programação, contrataram Rogério Pereira, editor do Rascunho, que ficou responsável pela parte adulta, e Cléo Busatto, que pensou a programação para as crianças.
Alguns nomes do programa são os mesmos da maioria das feiras organizadas país afora. “Existe um grupo de autores que não dá para deixar de convidar. Ou porque esses autores estão lançando um livro e ganhando prêmios, ou porque são midiáticos”, disse Tatiana, destacando que Moacyr Scliar faz parte desse time que fica triste se não é convidado. E é verdade! Tanto que a primeira coisa que comentou antes de começar a contar suas histórias no Café Literário foi sobre o profissionalismo da organização e sobre seu gosto em estar ali.
Mas algumas surpresas também acontecem. Ana Miranda foi uma delas. A escritora nunca havia sido convidada pela Fagga, que a conheceu este ano por intermédio do curador. A autora ficou muito feliz e tem sido sempre muito solícita, e tem de tudo para entrar no time dos queridinhos.
A maioria dos expositores era formada por livrarias. Editoras, algumas poucas como a da Universidade Federal do Paraná, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, a Paulus e a Vozes. Tanto Tatiana quando Rogério Pereira creditam isso a pouca representatividade editorial que o Paraná tem. Mas também demora um tempo para que as editoras de fora se animem a encarar uma feira sozinha. Foi assim na primeira edição da Bienal de Minas. Realizada pela segunda vez este ano, já contou com estandes da Companhia das Letras, Record, Sextante e outras.
Para Tatiana Zaccaro, o primeiro grande desafio é conseguir sucesso comercial e isso ela garante que eles conseguiram. Depois, devem montar uma programação diversificada com nomes chamativos e outros nem tanto e, para atrair o maior número de pessoas, devem tratar de diversos assuntos, como ler os clássicos, formação de leitores, novas tecnologias de leitura, entre outros.
Cada feira tem um certo tipo de dificuldade. “Fazer uma bienal é difícil porque enxergamos como um negócio mais completo – tem uma parte de negócios, mas é uma feira de público”. E quando o assunto é cultura, tudo é muito mais amplo.
Para apresentar a bienal ao público foi feito um plano de mídia diversificado, investimento em programação (porque autores chamam público), anúncio, mobiliário urbano e muito mais. Quem passeava pelo shopping Estação, por exemplo, encontrava no chão adesivos mostrando o caminho para a Bienal.
A ideia de fazer a feira naquele local pareceu acertada. Nem precisaram investir muito na praça de alimentação porque bastava descer alguns andares para ter muitas opções. Lá em cima, para quebrar o galho, tem cachorro quente, churros e empada. O café, a menos que você vá ao auditório do Café Filosófico, é de coador.
O investimento da Fagga nesta primeira edição foi de R$ 1,6 milhão. Isso sem contar o que os expositores gastaram para montar seus espaços. A Livrarias Curitiba não fala em valores, mas caprichou no estande de 270 m2 (e 30 mil livros) e levou com ela editoras que não conseguiriam ir sozinhas neste primeiro momento. Ela vendeu espaços em seu estande e cada editora parceira ganhou uma estante com seu nome e seus livros. Até a geladeira da Penguin Companhia das Letras, que virou atração turística na última Festa Literária Internacional de Paraty, estava em Curitiba.
“Por ser daqui, a Livrarias Curitiba quis montar o melhor estande possível e fazer o seu melhor para que a feira dure bastante e entre no calendário oficial da cidade”, disse o gerente do estande, Wagner Aparecido Fonseca. Ele se disse surpreso com a movimentação no espaço.
A promoção lá é “compre dois e leve três”. Outros 200 títulos, incluindo lançamentos e mais vendidos, estão com 20% de desconto. E parece estar funcionando. O estande não ficou vazio um instante sequer do fim de semana. E quando souberam que algumas escolas estavam dando vales para os alunos, trataram de ampliar a oferta de títulos a R$ 4 para atender melhor – e com livros de qualidade – às crianças. “Não queremos que a crinçca venha e gaste 1 ou 2 reais a mais. Queremos que ela gaste o valor do seu vale”, disse Wagner, também gerente da loja do Shopping Estação, que se manteve lotada durante o fim de semana da Bienal. Agora, a expectativa é para as sessões de autógrafos de André Vianco e de Eduardo Sphor. É para lá que vão os autores convidados após as palestras.
Curadoria
Rogério Pereira trabalha com literatura há uns bons anos e sua experiência como editor do Rascunho e como organizador do Paiol Literário o deixou mais confortável para tocar a programação da Bienal. O contato próximo com os autores também facilitou seu trabalho. Ele comentou que seu desafio foi dar pluralidade aos temas, pensar no que podia atrair mais gente e colocar autores que tivessem afinidade com os assuntos escolhidos para a discussão e entre eles próprios. Ele disse que o fato desta ser a primeira edição do evento não foi má vista pelos convidados. Só não foi quem não tinha agenda mesmo. Rogério vem pensando na programação desde maio. “Não é uma curadoria própria para mim, mas para o evento”, comentou.
No ano passado foi realizada lá a 1ª Bienal do Livro de Curitiba. Um dos fatores que dificultou o sucesso daquele evento foi que ela coincidiu com o auge da gripe suína, que afetou bastante a cidade. Quanto à possibilidade da cidade ter duas feiras intercaladas, disse: “Curitiba não comporta duas feiras. Comporta eventos diferentes, mas não duas feiras”.
Passeio-família
Ir à Bienal foi o programa da família Niclevicz no sábado à tarde. Eles saíram para almoçar e já tinham como certo passar a tarde entre os livros. Leonardo, de 10 anos, foi o único deles que foi à Bienal de Curitiba e agora na do Paraná. Chegaram às 14h30 e às 16h ainda estava na Rua C, já carregados de sacola. A mãe, Giliane, disse que os descontos estavam bons, variando entre 20% e 30%. Até aquele momento ela já tinha comprado um sobre Photoshop e estava se decidindo por outro sobre ioga.
Gabriel, de 11, amigo de Leonardo, é fã de Percy Jackson e coisas do gênero, e se encantou com a variedade de livros que viu na feira. Ele contou que viu notícias da Bienal do Livro de São Paulo e quis participar de uma feira daquelas.
O pai, Roque, disse que a iniciativa é boa para despertar o interesse das crianças. Comentou ainda que os meninos já estavam levando livros que tinham a ver com o que estudariam na escola no ano seguinte, caso do O último olimpiano.
A programação da feira segue até o próximo domingo e a organização espera pelo menos 200 mil visitantes. Parte desse número será composta por estudantes, que povoam os corredores do Estação Convention Center desde o momento da abertura oficial, ao meio-dia da última sexta-feira (1º).
Bienal do Livro do Paraná
Local: Estação Convention Center (Av. 7 de setembro, 2.775 – Curitiba/PR)
Dias de semana: das 9h às 22h
Fim de semana: 10h às 22h
Entrada: R$ 8 (meia - R$ 4)
A cobertura da Bienal do Livro do Paraná pelo PublishNews tem o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.





