O Ano da França no Brasil também será celebrado durante a Primavera dos Livros, em São Paulo, entre esta quinta-feira e o domingo. Vários títulos franceses serão apresentados no evento, a exemplo dos editados pela Estação Liberdade, dois títulos finalistas do prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), Topografia ideal para uma agressão caracterizada, de Rachid Boudjedra com tradução de Flávia Nascimento e Promessa ao amanhecer, de Romain Gary traduzido por Mauro Pinheiro. Conforme o diretor editorial da Estação Liberdade, Angel Bojadsen, os dois títulos foram aculturados e refletem os conflitos modernos da civilização. As obras do selo La Joie de Lire, criado pela Sá Editora especialmente para as comemorações entre os dois países, também serão apresentados na Primavera. São 11 livros escritos originalmente em francês, mas onde se destacam autores de origem não-francesa, como o argelino Yasmina Khadra, autor de O atentado A obra integra a Trilogia da paz junto com As andorinhas de Cabul e As sirenas de Bagdá. A Sá Editora também lançou a biografia de Zinedine Zidane, ex-jogador da seleção francesa que ajudou o país a ganhar a Copa de 1998. "Trazemos a literatura pop da França", completa Eliana Sá, diretora da editora.
O Oriente e o mundo árabe muçulmano estão em outras obras da coleção Latitude, da Estação Liberdade, voltada à francofonia - conceito que define a região não geográfica, mas linguística, dos povos que têm em comum o idioma francês. É o caso de Alá e as crianças-soldados, de Ahmadou Kourouma, da Costa do Marfim; ou Syngué Sabour Pedra-de-paciência, Prêmio Goncourt 2008, do persa Atiq Rahimi. Do outro lado do multiculturalismo, contudo, a França estará na Primavera dos Livros com sucessos de caráter tipicamente local. Eliana cita, da Sá Editora, os títulos de David Servan-Schreiber, médico e psiquiatra, ícone na área da saúde emocional: Curar o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise; e Sete passos para curar - guia prático da nova medicina das emoções.
Já as obras da jornalista Christiane Collange falam diretamente às leitoras. A autora foi chefe de redação da revista L'Express e chegou aos 74 anos sem nenhuma plástica, com três ex-maridos, quatro filhos e 15 netos. No livro A segunda vida das mulheres, organizou entrevistas com cem mulheres da classe média francesa, sobre o que desejam ou fazem após os filhos deixarem as casa e elas se tornarem avós. Já vendeu 100 mil exemplares desde o seu lançamento na Europa. "Com o apoio da embaixada francesa, os autores vieram ao Brasil para o lançamento de seus livros, um fator fundamental para a promoção e o marketing desses títulos, e a troca cultural", completa Eliana.
Para quem prefere os momentos de ouro do heroísmo francês, os Cadernos da guerra e outros textos (Estação Liberdade – Trad.: Mário Laranjeira), recém lançados, trazem arquivos pessoais que Marguerite Duras legou ao Estado francês em 1995. Escritos entre 1943 e 1949, foram conservados nos "armários azuis" de sua casa em Neauphle-le-Château. Além da Sá Editora e da Estação Liberdade, Pallas, Cosac Naif, Iluminuras, Editora 34, entre outras, também estarão com obras de literatura francesa nos estandes da Primavera do Livro.





