Uma das ferramentas que sempre esteve presente na Feira do Livro de Porto Alegre foi a pesquisa quantitativa, que apontava os exemplares mais vendidos durante o evento. Problemas com as leis municipal e estadual de incentivo à cultura forçaram uma redução de custos, em virtude do qual a organização optou por não utilizar a pesquisa, priorizando investimentos na programação. Porém, o que parecia um ponto negativo, acabou surpreendendo. “Relatos dos expositores nos mostram que este ano tivemos vendas mais pulverizadas, favorecendo o que chamamos de bibliodiversidade, que é a procura do público por uma variedade maior de títulos”, explicou João Carneiro, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). A inexistência da pesquisa quantitativa na Feira acabou gerando um fenômeno no mínimo interessante para o mercado editorial. “Como não houve a divulgação dos mais comprados, o público buscou maior variedade de títulos. Nos outros anos os próprios livreiros posicionavam as obras mais vendidas em locais de destaque, homogeneizando as barracas”, detalhou o presidente. Com isso, segundo ele, o público se mostrou mais exigente com a qualidade de suas aquisições. A declaração de Carneiro foi feita na tarde deste domingo, 16 de novembro, último dia da Feira. “Apesar de não termos os números finais ainda, acredito que chegaremos próximo ao número de exemplares comercializados em 2007, que foi de 450 mil”, disse ainda.
Os resultados finais de comercialização da Feira serão divulgados nesta terça-feira, dia 18, em uma coletiva para a imprensa. Porém, números registrados pela organização do evento apontam uma redução em relação a 2007. De acordo com a assessoria de imprensa da Feira, até o dia 13, restando apenas três dias para o final da mostra, foram comercializados 317 mil exemplares. Porém, os expositores estão otimistas. “Acredito que fecharemos o domingo com um saldo positivo em comparação ao ano passado”, disse João Cervo, proprietário da Livraria Cervo, que participou com duas barracas. “Na sexta-feira (14), por exemplo, minha barraca direcionada para o público infanto-juvenil já havia alcançado o número de exemplares vendidos em 2007”, explicou, informando ainda que também expôs obras gerais. Para Cervo, que participa há 10 anos da Feira do Livro de Porto Alegre, o reflexo segue até o final do ano. “Livros também são comprados para presentear no Natal, por exemplo. Então, até lá temos um consumo maior em função do evento”, completou. O livreiro dispõe de sete lojas na capital gaúcha, comercializando cerca de 100 mil exemplares por ano, dos quais 40% são de cunho didático. “Durante estes 17 dias comercializo o equivalente a um mês na loja”, finalizou.
As duas semanas de Feira do Livro transformaram Porto Alegre na capital da leitura. Tudo girou em torno da literatura e as pessoas passaram a valorizar mais o hábito de ler. Para o diretor da CRL e representante dos livreiros, Tuchaua Ribeiro, é o momento de culminância de um trabalho realizado durante todo o ano. “Mais importante do que o público vir à Feira e comprar seus exemplares é o reflexo disso que se estende à longo prazo. Trabalhamos em campanhas de incentivo a leitura justamente para isso”, afirmou. Mesmo os pequenos livreiros e editoras que não participam acabam se beneficiando. “O evento faz com que consigam uma proximidade maior com o público, o que é difundido para todo o mercado editorial”, ratificou Ribeiro, que também é proprietário da Editora Magister, especializada em publicações jurídicas.





