África: Contos, mitos e lendas
PublishNews, 28/07/2005
"A terra se fez carne / A terra se fez homem / E o homem fez o mundo". Essa idéia poética bem sintetiza o mito africano da criação, presente em A gênese africana - contos, mitos e lendas da África (Landy, 240 pp., R$ 40), de Leo Frobenius e Douglas C.Fox. A origem do homem do modo como os primeiros africanos a conceberam é um nascimento inconfundivelmente telúrico e sensual. É carnal, terreno e proporciona o contato com uma concepção sofisticada do mundo, o que, afinal confirma que a força criadora humana independe de espaço, raça e tempo. Integram os mitos, lendas e fábulas as pinturas rupestres da África pré-histórica. A mesma força criativa desponta na expressividade de seus traços e de seus conteúdos. A gênese africana acrescenta o que, desde os tempos de Frobenius, representou um começo de desmantelamento daquele mito racista produzido pelo europeu colonial. Em 1917, Jean Cocteau dizia "a arte negra não é aparentada aos clarões enganadores da infância ou da loucura, mas aos estilos mais nobres da civilização humana". O Brasil também possui uma raiz cultural vinda da África, um dos ancestrais deste país de raça mestiça e cultura igualmente miscigenada. É uma parcela dessa cultura pré-histórica africana que a obra apresenta: exemplares significativos de lendas, mitos e pinturas rupestres dos Cabila, povo estabelecido ao norte da África, dos Soniquês e dos Fula, do Sael ocidental, dos Mandes do Sudão ocidental, dos Nupe e Hauçá do Sudão central e dos Urronga da Rodésia do Sul, hoje Zimbábue.
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