LR: Existe, nos EUA, uma super valorização do autor novo, de preferência jovem. Isto não significa que seja fácil para um autor novo ser publicado nos EUA, mas alguns tantos nomes são escolhidos todos os anos pelas editoras. Basicamente, todo mundo quer descobrir o novo "Grisham" ainda em início de carreira. Em alguns casos, o autor é hipervalorizado em função do que ele pode vir a se tornar, e se esta previsão de megasucesso instantâneo não se realizar, obviamente este autor vai sofrer as consequências. É triste, porque ao invés de uma carreira que começa aos poucos e vai dando frutos, busca-se um resultado meteórico em um livro só, em um jogo maluco de tudo ou nada, e muita carreira boa pode ser "burramente" interrompida. Não vejo o mesmo acontecendo no Brasil. Descobrir um autor novo, bom e promissor é o sonho de todo editor (e de todo agente), mas daí a chegarmos a supervalorizar o novo, mais até do que os nomes já clássicos e consagrados, acho difícil...
PN: Ainda nos EUA, já existem editoras que não aceitam manuscritos e esperam que os agentes apresentem textos originais. Os agentes estariam assumindo atribuições do editor?
LR: Na realidade, o agente não está assumindo atribuições do editor, ainda que esteja lendo um original em primeira mão e dando algumas sugestões antes de levar o texto ao mercado. O autor que não tem agente é visto nos EUA como aquele autor que não é bom o bastante nem para conquistar uma agente - e como o mercado americano está lotado de agências de todos os tipos e tamanhos, não seria por falta de agência que este autor não encontraria alguma do seu feitio. É claro que tem gente que simplesmente prefere não ter agente, e isto não quer dizer que sua obra não seja ótima ou que este autor não possa encontrar um editor que cuide bem dele diretamente. No entanto, esta situação é realmente cada vez mais rara no mercado americano. Um texto que chega recomendado por um bom agente já vem com mais força e não se mistura na pilha de livros que chegam aos montes, todos os dias, sem referência alguma. A seleção de textos é difícil mesmo, e só quem lida com o assunto sabe como o processo é cansativo, frustrante e complicado, tanto para quem manda como para quem recebe.






