
O prêmio foi apresentado justamente em Frankfurt, em outubro de 2025, durante uma edição da Buchmesse na qual o tema do aumento da censura, inclusive dentro das democracias ocidentais, ganhou destaque especial. Em janeiro deste ano, a IPA abriu as candidaturas para a edição de estreia.
O Freedom of Expression Defenders Award nasceu para reconhecer iniciativas concretas de proteção àquilo que a IPA define como a “trindade das liberdades”: liberdade de expressão, de publicação e de leitura. A honraria se junta ao Prix Voltaire, historicamente dedicado a quem atua no mercado editorial e se destacou na defesa da liberdade de publicar, muitas vezes se expondo pessoalmente a ameaças e perseguições.
As cinco organizações selecionadas para o novo prêmio vêm dos Estados Unidos, da Geórgia, da Alemanha e da Turquia, e representam formas muito diversas de atuar em defesa da liberdade de expressão: desde ações judiciais contra restrições à circulação de livros até o apoio a vítimas de censura ou perseguição, passando pela proteção da liberdade de imprensa e pelo combate à desinformação.
- Media Coalition (Estados Unidos): A organização foi fundada em 1973 e reúne entidades representativas do mundo do livro e, de forma mais ampla, das indústrias culturais. Seu trabalho se concentra na defesa da Primeira Emenda e do direito do público de acessar a maior variedade possível de conteúdos, por meio de pressão legislativa e ações judiciais. Desde a sua criação, a entidade promoveu mais de quarenta processos contra normas consideradas prejudiciais a esses direitos.
- Intellectual Freedom Taskforce da Penguin Random House (Estados Unidos): Criada em 2023 por iniciativa do CEO Nihar Malaviya, é composta por 25 profissionais de diferentes divisões do grupo. A força-tarefa coordena estratégias jurídicas, intervenções legislativas, campanhas de conscientização e suporte a autoras e autores diante do aumento das contestações e proibições de livros no país. Entre as iniciativas promovidas está o Banned Wagon, um projeto itinerante que leva livros censurados ou questionados, além de materiais informativos, a livrarias e bibliotecas norte-americanas.
- Sovlab / Soviet Past Research Laboratory (Geórgia): Ativo desde 2010 no estudo do passado totalitário soviético no país e no combate à desinformação russa e ao uso político da memória. Apesar das pressões sofridas, a organização continuou a realizar pesquisas, organizar encontros públicos e publicar livros e artigos dedicados, entre outros temas, à repressão política, à resistência anticomunista e à ocupação soviética da Geórgia.
- Geradeaus e.V. / StraightForward Foundation (Alemanha): Fundada em 2023 para apoiar artistas russos afetados pela censura, forçados a deixar o país ou privados da possibilidade de continuar trabalhando. A organização também fomenta o desenvolvimento de novos manuscritos sobre temas proibidos pelo Kremlin e já produziu nove livros traduzidos para onze idiomas.
- Turkish Journalists Association (Turquia): A primeira organização profissional de imprensa fundada na Turquia, criada em 1946 e hoje composta por quase quatro mil membros. A associação trabalha para remover obstáculos à liberdade de imprensa e de expressão, proteger os direitos profissionais dos jornalistas e defender o direito da população de acessar informações.






