Uma jovem em Madri nos anos 1930
PublishNews, Redação, 09/09/2026
Matilde estava em busca de um emprego como datilógrafa quando aceitou a vaga no salão, já extenuada pela fome e pela pobreza de sua família

Na Madri dos anos 1930, em meio à tensão que antecede a ditadura franquista, um salão de chá renomado abre suas portas para mais um dia. Nele, jovens balconistas limpam bandejas, organizam doces nas vitrines e anotam os pedidos da clientela sob o olhar minucioso da gerente. Em Tea rooms (Fósforo, 176 pp, R$ 84,90 — Tradução: Mariana Sanchez), ao descrever a rotina precária dessas funcionárias e denunciar a exploração do trabalho, a escritora Luisa Carnés (1905-1964) soube narrar os anseios e impasses das mulheres no século XX. Exilada em 1936, ela teve sua obra redescoberta e chega ao Brasil pela primeira vez. A protagonista Matilde estava em busca de um emprego como datilógrafa quando aceitou a vaga no salão, já extenuada pela fome e pela pobreza de sua família. Ali conhece a veterana Antônia e a beata Francisca, além de Trini, a mais combativa de todas. Logo entende que os comentários irônicos da faxineira Esperanza têm bastante lastro na realidade, sobretudo quando direcionados à gerente e ao amante dela, que trabalha como garçom no local. Também compreende que as regras não servem para todas, uma vez que Laurita, afilhada do proprietário do estabelecimento — “o ogro” —, come quitutes e conversa o dia inteiro com clientes sem ser repreendida.

Tags: Fósforo, romance
[09/09/2026 07:31:56]