
Crescer entre duas línguas, lidar com a ausência e contar os dias para o retorno do pai são experiências que atravessam Amanhã chega o pai, novo livro de Lorena Richter, com ilustrações de Santiago Régis, publicado pela Interseção Design de Histórias. A obra será lançada no próximo sábado, 29 de agosto, às 17h, com sessão de autógrafos e bate-papo na Blooks Livraria (Praia de Botafogo, 316, em Botafogo — Rio de Janeiro/RJ).
Na história, uma menina acompanha as idas e vindas do pai ao exterior e espera tanto por sua volta quanto pelos presentes que chegam do aeroporto. Aos poucos, porém, a expectativa infantil revela outras camadas, feitas de ausências, afetos, memórias e da experiência de transitar entre dois países e dois idiomas. A relação entre as línguas nasce da própria história de Lorena.
“Na minha história pessoal, o alemão veio primeiro e, logo depois, o português. São línguas e afetos diferentes e têm coisas que não cabem numa língua só. Elas transbordam, precisam de outra melodia, de outra textura, de outra raiz. Para mim, algumas palavras são montanhas, florestas de pinheiros e sinos de igreja. Outras, barulho de mar”, conta a autora, no texto de divulgação.

Para Andrea Samico, editora da Interseção Design de Histórias, a construção do livro acabou envolvendo de maneira especial os diferentes profissionais que participaram do projeto.
“Editar este livro foi uma experiência tão boa quanto rara. Em torno dele encontraram-se profissionais que se envolveram profundamente com a história, descobrimos interseções inesperadas e nos emocionamos pra valer ao longo do caminho, conforme os resultados iam aparecendo. A escrita de Lorena, feita de deslocamentos, amorosidade e pertencimentos, encontrou no trabalho sensível de Santiago uma tradução imagética delicada e absolutamente surpreendente. Nosso papel foi apenas escutar e cuidar para que nada nesse encontro, tão singular para todos, se perdesse”, afirma Andrea ao PublishNews.
Nas ilustrações, Santiago combina colagens e recursos digitais e trabalha com símbolos que reaparecem ao longo da narrativa, como o avião de papel, o mar, as estrelas, a mala de viagem e a casa. “Ilustrar um livro, para mim, além de criar imagens, é também orquestrar símbolos. São imagens que dialogam com o subconsciente e oferecem novas camadas para a história”, explica o ilustrador, no release.
O livro traz ainda texto de quarta capa da artista Ana Gilbert e prefácio do escritor João Anzanello Carrascoza. Para Ana Gilbert, o encontro entre “o lirismo do texto e a cintilância das imagens com seus tons contrastantes de cor e emoção” conduz o leitor pelos territórios da memória e da infância.






