Renato Livera dá voz a Roberto Bolaño no celebrado 'Deserto'
PublishNews, Redação, 20/08/2026
Primeira criação teatral brasileira inspirada na obra do escritor chileno, que viveu entre 1953 e 2003, faz temporada gratuita no Itaú Cultural este mês

Renato Livera em cena © Renato Mangolin
Renato Livera em cena © Renato Mangolin

Roberto Bolaño (1953-2003), um dos nomes centrais da literatura latino-americana contemporânea, está nos palcos brasileiros em Deserto, espetáculo inspirado na vida, na obra e no pensamento do escritor chileno. A montagem entra em cartaz nesta quinta-feira, 20 de agosto, no Itaú Cultural, em São Paulo, onde cumpre temporada gratuita até 30 de agosto. Haverá sessões às quintas, sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.

Primeira criação teatral brasileira inspirada na obra de Bolaño, Deserto tem direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e atuação de Renato Livera. A peça reúne literatura, teatro, poesia, música e vídeo para percorrer sua trajetória e investigar uma questão que atravessa seus livros: qual é o lugar da poesia e dos artistas diante da violência do mundo contemporâneo?

Em cena, Renato Livera dá voz ao escritor a partir de fragmentos de obras como A universidade desconhecida, 2666, Entre parêntesis e Bolaño por si mesmo. Memórias e reflexões autobiográficas se misturam à relação do autor com a escrita e à história social e política da América Latina.

Renato não era um leitor assíduo da obra do chileno, mas passou a ser. “Assim que fui convidado e quando entrei na pesquisa para entender a vida do Bolaño, mergulhei nessas jornadas dele. E o que mais encanta é a forma como ele conduz a narrativa, misturando elementos que são muito fascinantes: a aventura, o que é inesperado, a poesia, a construção desses personagens. Em cada personagem você consegue identificar a temperatura, a latinidade, tudo com muito humor e muito sarcasmo. E, acima de tudo, a crítica política está sempre muito presente, colocando a América Latina no lugar de atenção. A escrita dele é muito fluida, quase cinematográfica", analisa o ator ao PublishNews.

O percurso passa pela saída de Bolaño do Chile ainda adolescente, sua vida no México e suas andanças pelas Américas nos anos 1970 até a mudança para a Espanha, em 1977, onde viveu até sua morte, aos 50 anos. Mais do que reconstruir uma biografia, porém, a montagem procura levar ao palco a concepção de literatura de um escritor para quem poesia e vida eram territórios difíceis de separar.

Segundo Luiz Felipe Reis, Deserto parte também da ideia de “desertificação” das subjetividades contemporâneas para acompanhar o compromisso de Bolaño com o fazer literário e sua visão sobre o papel do artista.

“Bolaño compreende a poesia, a aventura poética, como uma forma de vida, como uma forma de escapar ou de se contrapor ao conjunto de normas e hábitos impostos pelo regime político-econômico capitalista em sua forma neoliberal, contemporânea, marcada pela intensificação do desamparo, dos conflitos, do sofrimento psíquico, da exaustão ambiental. Em suma, pela desertificação de tudo que é vital e fundamental à vida”, afirma o diretor, no release que circula nas redações.

Criado pela Polifônica – Núcleo de Pesquisa e Criação Artística, Deserto estreou em 2024 e recebeu indicações a prêmios como APTR, APCA e Shell, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

[20/08/2026 07:15:53]