
Com 208 páginas e prefácio do jornalista Roberto D’Ávila, o livro será lançado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (8), às 19h, na Livraria da Travessa (Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - Store 205 A — Leblon — Rio de Janeiro / RJ). A edição traz também acesso ao áudio original da entrevista, por meio de QR Code.
Gravado em fitas cassete no âmbito de um projeto de memória oral da Câmara Municipal de Carazinho, o depoimento permaneceu desaparecido por décadas. As gravações foram encontradas recentemente, permitindo a recuperação do material que dá origem ao livro.
A iniciativa de publicação começou em 2014, quando um conterrâneo de Brizola entregou à neta um caderno com a transcrição datilografada da entrevista. O material foi então compartilhado com Rejane. As duas já haviam trabalhado juntas em Meu avô Leonel – Frases de Brizola (Letra Capital, 2016) e decidiram levar adiante a edição do novo documento.
Ao longo de mais de quatro horas de gravação, Brizola percorre episódios de sua trajetória pessoal e política, articulando memória individual e história do país. Ele relembra a infância marcada por dificuldades — como o início precoce no trabalho e a ausência de condições básicas — e episódios como o assassinato de seu pai durante a Revolução de 1923.

O relato acompanha ainda sua formação e ascensão política, desde os primeiros trabalhos em Porto Alegre até a eleição como prefeito da capital gaúcha, em 1955. Em um dos trechos, Brizola recorda a primeira campanha para deputado estadual, em 1946, quando criou estratégias próprias de divulgação diante da falta de recursos:
“Está bem que os nossos colegas estudantes militares tenham tudo para estudar, livros, pensão e até um pequeno ordenado. Ficamos felizes que eles tenham tudo isso mas porque todos os jovens não têm o mesmo direito?”, questiona, em determinado momento da conversa gravada.
A edição reúne também fotografias e documentos do acervo pessoal da família — como carteiras profissionais, cartas e materiais de campanha — além de imagens inéditas localizadas no Museu Olívio Otto, em Carazinho.
Ao revisitar a trajetória do político, o livro evidencia o papel central que Brizola atribuía à educação como instrumento de transformação social. À frente dos governos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, ele implementou projetos de expansão da rede pública de ensino, incluindo os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e as chamadas “Brizoletas”, escolas construídas no interior gaúcho.






