Um noir antropomórfico vibrante e satírico
PublishNews, Redação, 1º/04/2026
Bel Blubell Fontana mergulha numa ode bem-humorada ao showbiz, seja aqui, ou numa galáxia muito distante

O que uma jornalista desempregada tem em comum com uma cantora pop? Como as ondas de rádio caminham pelo universo? Elas chegam em outras civilizações? Ser artista é e foi sempre parecido em qualquer lugar, em qualquer tempo? Em Vaudeville (Reformatório, 120 pp, R$ 54), a cantora, escritora e professora de inglês Bel Blubell Fontana mergulha nessas e outras perguntas, numa ode bem-humorada ao showbiz, seja aqui, ou numa galáxia muito distante. Bel nos faz viajar ao lado de Jo, em busca do paradeiro de Hahah Mahaya, a maior estrela pop da galáxia — famosa pelo hit "Ninguém é a última bolacha do pacote" —, que desaparece sem deixar rastros. Em um universo onde a fama é moeda de troca e a cafonice é elevada à categoria de arte, nada é mais valioso do que um segredo bem guardado. Onde deveria estar o brilho dos holofotes, restou apenas um vácuo preenchido por teorias conspiratórias, interesses escusos, paraísos fiscais, políticos obscenos, jogatinas e prostituição e o silêncio ensurdecedor da indústria do entretenimento. Bel Blubell Fontana constrói em Vaudeville um noir antropomórfico vibrante e satírico.

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