
Na última quinta-feira (19), o romance saiu do ar no site da editora e da Amazon internacional após o jornal The New York Times contatar a editora e citar evidências de que o romance possuía indícios de uso de IA generativa. No mesmo dia, a autora Mia Ballard respondeu o veículo negando o uso de inteligência artificial e completou que um conhecido seu contratado para editar a versão autopublicada do romance havia usado uma ferramenta de IA.
José Fernando Tavares, colunista do PublishNews, alerta para a necessidade de maior transparência do uso de inteligência artificial no trabalho editorial e, ao mesmo tempo, evitar demonizar o uso correto e ético dessas ferramentas. "O editor precisa ser sempre o guardião da qualidade de um texto escrito ou não por IA, porque é isso que os leitores buscam", comenta.
Ele acredita que o importante é entender em quais setores há um verdadeiro ganho com a IA, como em ações de marketing e de posicionamento da obra.

Na visão do especialista, o mais notável no caso da Hachette não é o apontamento do uso de inteligência artificial, mas sim, um problema geral de revisão editorial: "Tudo indica que foi feito um uso superficial da IA, do tipo 'escreve aí pra mim', sem o trabalho atento de lapidação que qualquer texto exige. Não conheço a autora nem li o livro, então falo pelo que vi das críticas públicas. E o que vi não foram acusações de plágio ou de falta de originalidade na história. Foram apontamentos sobre erros superficiais de escrita", explica.
Tavares destaca que não existe uma recomendação milagrosa para garantir a qualidade de uma obra, em tempos de IA, e reforça que é necessário realizar um trabalho criterioso de seleção dos manuscritos e de revisão textual, "Esse continua sendo o melhor filtro que existe", diz.
Além disso, a promoção de um letramento em IA para equipes editoriais é primordial, de forma que colaboradores entendam como as IAs escrevem, reconheçam o 'dataprint' (a impressão digital que cada modelo deixa no texto), identifiquem os limites dessas ferramentas e saibam usá-las como auxiliar ou revisor.
O romance Shy girl conta a história de uma jovem que é mantida refém por um desconhecido com quem teve contato na internet. O sequestrador faz com que a protagonista se comporte como seu animal de estimação.






