
“É um livro sobre inadequação física e sobre como caber no mundo com alegria e esperança — mesmo sendo gordo. E é também sobre preservação e sobre amor: às árvores, aos bichos e a tudo que vive e que existe e é bom”, resume Cíntia ao PublishNews.
Narrado por Natan, um jovem introspectivo, obeso e atento às palavras, o enredo parte de um episódio de humilhação escolar — quando a quebra de uma cadeira dá origem ao apelido “baleia assassina” — para construir uma história que equilibra experiências individuais e questões coletivas. Ao longo da história, o protagonista lida com a própria imagem, com os afetos e com o desejo de não desaparecer diante dos outros, principalmente diante de Valentina, o seu primeiro amor.
Paralelamente, a trama se expande para além do ambiente escolar. Joana, mãe de Natan e bióloga, lidera um movimento de resistência contra um projeto urbano que ameaça árvores centenárias em uma cidade marcada pela estiagem e pela pressão imobiliária. A mobilização atravessa a vida do protagonista e conecta temas como sustentabilidade, participação cívica e responsabilidade coletiva.
Com linguagem ágil e humor que convive com situações de vulnerabilidade, Baleia assassina aborda questões como identidade, amizade e dignidade, junto com gordofobia, sustentabilidade, reciclagem e outras tensões sociais do nosso tempo.
Ao tratar o bullying não como episódio isolado, mas como experiência que molda a percepção de si e do mundo, o livro amplia o debate sobre pertencimento e exclusão. E esta obra reafirma uma das marcas mais consistentes da escrita da autora premiada: a capacidade de tratar temas sensíveis com humor, precisão e densidade emocional.






