
O fotógrafo e documentarista Eduardo Calderan Quintino faz mais um lançamento do livro Caminho no 15º Festival de Fotografia de Tiradentes, nesta sexta-feira (13). A obra reúne 60 fotografias autorais e 15 relatos — 11 de outros peregrinos e quatro do próprio autor — sobre o percurso pelo Caminho Francês até Santiago de Compostela, na Espanha. As imagens nasceram de duas peregrinações realizadas em 2015 e em 2017 e compõem uma narrativa visual sobre autoconhecimento.
Publicado pela Editora Caminho, fundada por ele para viabilizar a circulação do projeto, o livro será apresentado ao público às 20h, na Vila Foto em Pauta (Rua Santíssima Trindade, 92, Centro — Tiradentes / MG). O fotógrafo participará de uma breve conversa com os leitores e autografará exemplares da obra, que custa R$ 215.
Eduardo integrou a equipe fundadora da MTV como cinegrafista entre 1990 e 1994. Mais tarde, atuando como documentarista, se envolveu com as Corridas de Aventura ao lado do amigo e cineasta Renato Casca — experiência que lhe permitiu se aperfeiçoar no domínio das ferramentas. Nesse contexto, conheceu o preparador físico Aulus Sellmer, que o convidou a registrar sua peregrinação, ponto de partida deste livro.
"A construção da narrativa foi elaborada durante a digestão das imagens e ela é baseada em uma das entrevistas que fiz ao longo do Caminho", explica o fotógrafo ao PublishNews. Ele conta que a estrutura do livro dialogou com uma teoria apresentada pela hospitaleira Sandra Terrer, que acompanha peregrinos ao longo da rota.
"Segundo essa teoria da Sandra, o peregrino passa por três fases: desgaste físico, desgaste mental e uma possível conciliação com as questões existenciais que vêm à tona durante o processo da peregrinação. Tanto o livro, quanto o documentário, se baseiam nessa premissa", pontua Eduardo, curitibano radicado há anos em São Paulo. Assista ao documentário aqui!

O livro também reúne relatos de peregrinos que foram coletados durante o caminho, ampliando o diálogo entre texto e imagem. Eduardo optou por não incluir legendas nas fotografias.
"A decisão de não colocar legendas foi para realmente deixar o leitor livre para ser conduzido pelas imagens, sem interferências. A sensação que cada imagem traz em si é deixada em aberto para que ele se transponha àquela realidade e chegue à sua própria emoção. Cada um interpreta a história mediante a bagagem de vida e a herança imagética que carrega consigo", acredita.
Criada ao longo de quase uma década, a publicação é trilíngue (em português, espanhol e inglês) e marca uma transição no trabalho do fotógrafo: do olhar documental para uma abordagem mais sensorial e contemplativa da imagem. Para Quintino, o Caminho de Santiago também funcionou como um espaço de reconexão humana e reflexão sobre o ritmo contemporâneo.
"Este livro é fruto de duas viagens que fiz ao Caminho, em 2015 e em 2017. Carrego comigo a intenção de respeitar o outro e suas escolhas. Aprendi que meu jeito de ver o mundo, não é necessariamente o certo. É apenas a minha visão. A diversidade do Caminho mostra muitas possibilidades de escolhas. Julgar o outro é uma decisão equivocada", provoca.
A experiência também revelou a dimensão coletiva da peregrinação. "Outra coisa que aprendi é a intrínseca interconectividade de um humano com o outro. Somos seres sociais e estar aberto a aprender com outra pessoa é um grande passo! Fazer parte de uma rede de pessoas que têm a nossa sintonia, é fundamental para crescermos e nos sentirmos pertencentes ao mundo".
Interessou? Você pode comprar o livro direto pelo site da Editora Caminho. Boa viagem pelas fotos do Eduardo!






