
Reunindo três de seus livros mais incensados — Por quem os sinos dobram (1940), O velho e o mar (1952) e Paris é uma festa (1964) —, o box de luxo de Hemingway, que saiu pela Bertrand, selo do Grupo Record, ficou em primeiro lugar pelo seu projeto jovial, que faz uma desconstrução tipográfica. O projeto gráfico queria romper com a imagem clássica e tradicional do autor, apresentando um visual mais descontraído com o objetivo de ampliar o seu público leitor. As capas são totalmente gráficas, com apenas um elemento-chave para representar o conteúdo de cada livro e as contracapas trazem uma mensagem significativa de cada título.

O terceiro lugar foi para uma edição de capa dura de Demian (Record), de Hesse, também trazendo uma nova perspectiva de design com o objetivo de atrair os jovens ao texto, originalmente publicado em 1919. O design gráfico representa bem o conteúdo do livro: a busca do indivíduo pelo autoconhecimento. À medida que os capítulos avançam, a tipografia se desfigura gradualmente até se tornar abstrata. Essa narrativa busca representar a jornada de construção e desconstrução do protagonista e transmitir graficamente o processo de transformação do ser humano.
A cerimônia ocorreu em Bangkok, às margens do Rio Chao Phraya, um dos territórios simbólicos da cidade. À frente do departamento de design do Grupo Editorial Record, Leonardo Iaccarino acrescenta os prêmios asiáticos a um histórico consistente de reconhecimentos internacionais no campo do design editorial.
Em seu perfil no Instagram, o designer comentou o impacto do momento: “Ainda muito emocionado de estar na Ásia (pela primeira vez) por conta do meu trabalho. Receber dois prêmios internacionais junto a profissionais talentosíssimos às margens do Rio Chao Phraya, território sagrado abençoado por inúmeros templos budistas, é algo que eu nunca vou esquecer. Obrigado ao júri, todo staff do iDesign Awards, minha família, meus amigos e meus parceiros de trabalho. Nada é construído sozinho e eu não estaria aqui sem a parceria de vocês. Ainda estou tonto, e não é (só) do jetlag. 2026 só começando...”, escreveu na legenda do vídeo, no qual é anunciado vencedor.
Os prêmios reforçam a presença do design editorial brasileiro em circuitos internacionais e evidenciam o papel da criação gráfica como dimensão central da experiência de leitura.






