
Ramalho está feliz com a conquista. “Afinal, o prêmio carrega no próprio nome um enorme simbolismo. Vlado foi um defensor da democracia em plena ditadura militar. E, por isso, foi assassinado nos porões do regime autoritário. Tenho muito orgulho de receber o prêmio com um livro que conta a relação de um oficial do Bope que se tornou matador de aluguel”, afirma com exclusividade ao PublishNews.
A obra é uma imersão nos meandros da ascensão e queda de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e líder do chamado Escritório do Crime, um dos grupos mais temidos do país. Com apuração rigorosa e narrativa envolvente, o livro reconstitui a metamorfose do aspirante a oficial tímido em um dos criminosos mais letais do Rio de Janeiro — e suas conexões com o jogo do bicho, as milícias e o poder político, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro.
Durante a apuração, o jornalista chegou a ser alvo de ameaças de morte. Um relato ao Disque-Denúncia revelou um plano de atentado contra ele, supostamente encomendado por bicheiros mencionados em suas reportagens.
O título Decaído faz referência ao termo usado dentro do Bope para designar soldados que se desviam do caminho, os “anjos caídos”. Mais que uma biografia, o livro revela as falhas institucionais e as redes de impunidade que permitiram a ascensão e o domínio de um sistema paralelo de poder no país.
“Decaído é mais do que uma reportagem: é um mergulho profundo em uma triste realidade do nosso tempo, tudo conduzido com rigor, coragem e sensibilidade. Premiar esse trabalho é também valorizar o jornalismo que investiga, emociona e resiste. Como editor, celebro não apenas o autor, mas todos os profissionais que acreditam no livro como veículo de verdade e consciência”, diz o editor Paulo Tadeu, fundador da Matrix.






