Sérgio Ramalho vence o Prêmio Vladimir Herzog com 'Decaído'
PublishNews, Redação, 09/10/2025
Obra da Matrix investiga a trajetória de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope, e revela conexões entre crime, política e milícia

Sérgio Ramalho e o seu livro © Marcos Tristão
Sérgio Ramalho e o seu livro © Marcos Tristão
O jornalista investigativo e escritor Sérgio Ramalho venceu o 47º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria livro-reportagem, com Decaído – A história do capitão do Bope Adriano da Nóbrega e suas ligações com a máfia do jogo, milícia e o clã Bolsonaro (Matrix Editora). A premiação ocorre no ano em que se completam 50 anos da morte de Vlado, símbolo da luta pela liberdade de imprensa e pelos direitos humanos no Brasil.

Ramalho está feliz com a conquista. “Afinal, o prêmio carrega no próprio nome um enorme simbolismo. Vlado foi um defensor da democracia em plena ditadura militar. E, por isso, foi assassinado nos porões do regime autoritário. Tenho muito orgulho de receber o prêmio com um livro que conta a relação de um oficial do Bope que se tornou matador de aluguel”, afirma com exclusividade ao PublishNews.

A obra é uma imersão nos meandros da ascensão e queda de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e líder do chamado Escritório do Crime, um dos grupos mais temidos do país. Com apuração rigorosa e narrativa envolvente, o livro reconstitui a metamorfose do aspirante a oficial tímido em um dos criminosos mais letais do Rio de Janeiro — e suas conexões com o jogo do bicho, as milícias e o poder político, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro.

Durante a apuração, o jornalista chegou a ser alvo de ameaças de morte. Um relato ao Disque-Denúncia revelou um plano de atentado contra ele, supostamente encomendado por bicheiros mencionados em suas reportagens.

O título Decaído faz referência ao termo usado dentro do Bope para designar soldados que se desviam do caminho, os “anjos caídos”. Mais que uma biografia, o livro revela as falhas institucionais e as redes de impunidade que permitiram a ascensão e o domínio de um sistema paralelo de poder no país.

“Decaído é mais do que uma reportagem: é um mergulho profundo em uma triste realidade do nosso tempo, tudo conduzido com rigor, coragem e sensibilidade. Premiar esse trabalho é também valorizar o jornalismo que investiga, emociona e resiste. Como editor, celebro não apenas o autor, mas todos os profissionais que acreditam no livro como veículo de verdade e consciência”, diz o editor Paulo Tadeu, fundador da Matrix.


[09/10/2025 09:24:46]