
O livro dá continuidade ao projeto iniciado em 2023, quando o autor publicou o primeiro volume da série, transformada também em podcast de sucesso. Assim como na estreia, a proposta é contar a história do pop internacional a partir de uma seleção comentada de álbuns, dez a cada década, de 1960 a 2019. Nenhum artista se repete em relação ao primeiro livro, ampliando o mosaico musical e oferecendo ao leitor um retrato ainda mais abrangente dos últimos sessenta anos.
Em Do vinil ao streaming, Setti analisa os álbuns em si e também o mercado que os sustentou. O percurso começa nos anos 1960, quando o LP de 12 polegadas superou os compactos de 7 e consolidou o álbum como formato central da indústria fonográfica. Nesse cenário surgiram registros como 'Elvis is back!' (1960), que marcou o retorno triunfal do Rei do Rock após o serviço militar, e 'At last!' (1960), em que Etta James se afirma como voz incontornável do soul.
Na década seguinte, em meio ao boom das tiragens milionárias, Marvin Gaye lançou 'What’s going on' (1971), obra que mostrou como um álbum podia unir soul e política sem perder apelo popular, enquanto o Queen expandia os limites da experimentação pop com 'A night at the ppera' (1975) e os Ramones inauguravam a estética punk em 1976.
Os anos 1980 foram marcados pela chegada do CD, que ampliou mercados e transformou o consumo musical. Nesse contexto, Bruce Springsteen transformou 'Born in the U.S.A.' (1984) em fenômeno global, Kate Bush explorou novas possibilidades de estúdio em 'Hounds of love' (1985) e George Michael consolidou sua trajetória com 'Faith' (1987). A década seguinte, considerada o auge do disco físico antes da crise, trouxe marcos como 'Loveless' (1991), do My Bloody Valentine, 'Enter the Wu-Tang Clan' (1993), de Wu-Tang Clan, que consolidou o hip-hop nova-iorquino, e 'Dummy' (1994), do Portishead, que deu rosto ao trip-hop britânico.
Com a revolução digital dos anos 2000, a indústria precisou se reinventar diante da pirataria e do MP3. Nesse novo cenário, 'Elephant' (2003), do White Stripes, revitalizou o rock de garagem; 'Demon days' (2005), do Gorillaz, mostrou o potencial de projetos multimídia; e 'Kala' (2007), de M.I.A., trouxe a globalização para dentro do pop. Finalmente, nos anos 2010, o streaming se consolidou como modelo dominante e abalaram-se as próprias noções de álbum e consumo.
Ainda assim, Adele resistiu com força impressionante: segundo a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), '21' (2011) é o álbum mais vendido do século XXI. Ao mesmo tempo, Kendrick Lamar redefiniu a relação entre rap, jazz e política em 'To pimp a butterfly' (2015), e Billie Eilish inaugurou uma nova era de superestrelas ao acumular 194 milhões de streamings das quatorze faixas de 'When we all fall asleep, where do we go?' (2019) na semana de estreia do álbum, que teve ainda doze músicas no top 100 da Billboard.
Leia escutando
Playlists com a seleção musical do livro estão disponíveis no Spotify e no Deezer, convidando o leitor a atravessar essa linha do tempo sonora na prática. Do vinil ao streaming também se transformou em um podcast, já com 36 episódios no ar, apresentados pelo autor. Escute aqui.