5º Jornada Profissional trata o panorama do mercado editorial na América Latina
PublishNews, Beatriz Sardinha, 09/09/2024
Convidados do Chile, Colômbia e Peru falam sobre experiências no mercado editorial

Leonardo Garzaro do Amaral, Alejandra Carolina Ramos Henao, Constanza Recart e Armando Alzamora (esquerda pra direita) | © Beatriz Sardinha
Leonardo Garzaro do Amaral, Alejandra Carolina Ramos Henao, Constanza Recart e Armando Alzamora (esquerda pra direita) | © Beatriz Sardinha

O painel sobre mercado editorial latino-americano, realizado pela Jornada Profissional, no Distrito Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1300 – São Paulo / SP) entre os dias 4 e 5 de setembro, fez uma análise panorâmica do cenário da literatura no continente. Os convidados vieram da Colômbia — que em 2024 é o país convidado da Bienal Internacional do Livro de São Paulo —, do Chile e do Peru, e compartilharam experiências no mercado editorial, passando por assuntos como as diferenças estruturais entre editoras, a relação entre o audiolivro e o impresso, a literatura brasileira no exterior e as diferenças culturais presentes entre as nações do continente.

O evento tem como proposta reunir editores, agentes literários, e outros players do mercado para rodadas de negócios e uma programação de palestras exclusivas. Em 2024, a Jornada Profissional teve a participação de 62 empresas, incluindo 11 internacionais, de países como Colômbia, Argentina, Itália, Turquia, Peru, Espanha, Chile, e uma comitiva de 10 editores canadenses.

Vivência no mercado editorial

Convidados falaram sobre as diferenças entre as vivências de pequenas e grandes editoras nos mercados de seus países. “Os escritores são meus amigos, estou mais próxima deles no dia a dia da editora. Numa grande empresa, o escritor é mais uma pessoa com um contrato”, comentou Alejandra Carolina Ramos Henao, da Enlace Editorial, da Colômbia.

A chilena Constanza Recard, da Amanuta, ressalta as diferenças territoriais que devem ser consideradas quando se fala em literatura globalizada e uma literatura individual: "Editoras do Chile precisam sair do país, por conta do tamanho. Por isso, políticas governamentais para auxiliar editores, tradutores e escritores têm função fundamental".

A América Latina e a recepção de autores brasileiros

O editor e colunista do PublishNews, Leonardo Garzaro, questionou os palestrantes sobre a recepção da literatura brasileira no mercado da América Latina. De forma geral, todos relatam que percebem uma boa recepção da literatura brasileira nos países latino-americanos. Alejandra argumenta que “nós colocamos as barreiras. Do que é um livro de um país ou de outro”.

Em sua fala, Armando Alzamora, diretor editorial da Colmena e professor da Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP), citou uma longa lista de autores de destaque nacional que foram traduzidos para o Peru. De cabeça, o editor listou Clarice Lispector, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Chico Buarque, Cecília Meirelles, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade e Monteiro Lobato.

Constanza citou uma trava mercadológica e informacional – que livros americanos e espanhóis são mais lidos do que os de autores latino-americanos, questão também influenciada por problemas econômicos no continente.

Audiolivro e livro impresso no continente

Quando comentaram sobre o audiolivro, os convidados do painel ressaltaram que a tecnologia deve ser considerada uma aliada na difusão do conteúdo. Armando cita o exemplo do alto preço de envio para alguns lugares, como o Uruguai, no caso do Peru. Então, fala sobre a facilidade de envio do livro de forma digital, ou o envio do livro, para que possa ser impresso no próprio Uruguai: “é uma questão material, o importante é que o conteúdo está sendo entregue”.

O tema da literatura infantil e infantojuvenil permeou diversos assuntos tratados no decorrer do painel. Ao falar do audiolivro, por um lado, as especialistas afirmam que há a necessidade do livro enquanto um objeto que provoca sensações táteis e estimule o desenvolvimento motor ao longo do desenvolvimento de uma pessoa. E, ao mesmo tempo, ressaltam a relevância da literatura digital na literatura nas escolas, da facilidade de amplitude e da difusão de grandes catálogos que podem ser usados por grandes contigentes de estudantes.

Barreiras continentais e temáticas particulares de cada mercado

Já para o final do evento, em clima mais descontraído, as convidadas falaram sobre curiosidades e particularidades de cada um de seus mercados. O assunto surgiu porque ao longo do painel sobre as semelhanças que unem países latino americanos, também foram destacadas e comentadas particularidades culturais e sociais de cada um.

Constanza cita que a Editorial Amanuta já publicou um Atlas americano, em que foi necessária a produção de edições distintas, por conta de reconhecimentos territoriais divergentes entre Chile e Argentina.

Detalhe do livro 'Atlas americano' (Editorial Amanuta) | © Divulgação
Detalhe do livro 'Atlas americano' (Editorial Amanuta) | © Divulgação


[09/09/2024 11:00:00]