Um alerta contra o saudosismo autoritário
PublishNews, Redação, 21/08/2024
Livro de cordel reverência ao imaginário das lutas populares como a década do golpe da Ditadura Militar

Romances de cordel (José Olympio, 104 pp, R$ 69,90) reúne trabalhos de Ferreira Gullar criados especialmente no Centro de Cultura Popular (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), nos anos 1960. São consequências de um convite feito pelo dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho – o Vianinha – para que Gullar participasse das iniciativas do CPC, àquela altura, um grupo recém-formado que aglutinou originalmente realizadores de teatro. A parceria com a UNE costurada por Vianinha, mais que promissora, também significou uma oportunidade única para que os artistas engajados na militância política pudessem colaborar em conjunto. Esse mergulho nas causas populares rendeu criações que marcaram para sempre a cultura brasileira, sendo este Romances de cordel a notação de seu braço literário. A pedido de Vianinha, Gullar compôs João Boa-Morte cabra marcado para morrer, texto que, a princípio, seria adaptado para o teatro, mas acabou sendo publicado apenas em um folheto típico dos cordelistas. Assim também foi feito com Quem matou Aparecida?, que conta a história de uma mulher, moradora da extinta favela da Praia do Pinto, no Rio de Janeiro, que, em um ato de desespero, ateia fogo à própria roupa. Este livro representa, portanto, não apenas a perpetuação da lira política de Ferreira Gullar, mas também presta devida reverência ao imaginário das lutas populares que se mantiveram perseverantes.

[21/08/2024 07:00:00]