Grito contra a opressão
PublishNews, Redação, 19/05/2023
Um livro que representa, simultaneamente, uma declaração de protesto, de resistência e de utopia

Tirar a vez e calar a voz, silenciar e invisibilizar a dor e angústia de uma pessoa concretiza uma das maneiras mais violentas de oprimi-la, de violentá-la e de desumanizá-la. Por isso o livro Falas negras (Letramento, 204 pp, R$ 60), organizado por Margareth Cordeiro Santana, é também um grito uníssono. Um não bem grande à naturalização, à aceitação passiva e à legitimação cultural do racismo estrutural em nossa sociedade injusta e desigual. Esta sociedade injusta e desigual desde a violenta invasão e apropriação das Américas dos povos originários pelos europeus, passando pela criação das capitanias hereditárias, pelo abjeto período escravagista até a condenação dos negros, indígenas e seus descendentes pobres, às favelas e aglomerados das periferias de nossas cidades. Periferias estas, quase sempre, excluídas das políticas públicas básicas, a ponto de serem comparadas como nas novas senzalas. Cada uma das Falas negras que aqui se enuncia é, simultaneamente, uma declaração de protesto, de resistência e de utopia.

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[19/05/2023 07:00:00]