Nos EUA, o FBI prende homem acusado de ser o 'ladrão de manuscritos'
PublishNews, Redação, 07/01/2022
O detido foi Filippo Bernardini, um cidadão italiano que trabalhava no mercado editorial acusado de fraude eletrônica e roubo de identidade em um esquema que durou mais de cinco anos

Em 2020, a Folha repercutiu uma matéria de Elizabeth A. Harris, do New York Times, sobre roubos de manuscritos que vinham acontecendo no mercado editorial e colocando escritores, editores, agentes e outras pessoas do ramo sob alerta. O phishing, obtenção de informações on-line sob falsos pretextos, fez diversas vítimas como Margaret Atwood, Ian McEwan e Ethan Hawke e durou mais de cinco anos.

“O verdadeiro mistério é qual seria o objetivo final”, disse Daniel Halpern, fundador da Ecco Press, um selo editorial do grupo HarperCollins, na época ao jornal. Outra suspeita dos profissionais do setor era que o ladrão pudesse ser uma pessoa do mercado, já que pelos e-mails, claramente sabia como as editoras funcionam.

O mistério foi resolvido na tarde desta quarta-feira (05), quando o FBI prendeu Filippo Bernardini acusando-o de fraude e roubo de identidade por conduzir "um esquema de vários anos para se passar por indivíduos envolvidos na indústria editorial, a fim de obter de forma fraudulenta centenas de manuscritos pré-publicação de romances e outros livros futuros". Ele foi preso quando desembarcava no aeroporto JFK, em Nova York.

Segundo o New York Times, para colocar as mãos nos manuscritos, Bernardini enviava e-mails se passando por profissionais de publicação e visando autores, editores, agentes e scouts que possam ter rascunhos de romances e outros livros. Ele tem 29 anos e trabalhava na Simon & Schuster UK como coordenador de direitos. A editora disse estar “chocada e horrorizada” com as acusações de Bernardini e em um comunicado oficial acrescentou: “A custódia da propriedade intelectual de nossos autores é de primordial importância para Simon & Schuster, e para todos na indústria editorial, e somos gratos ao FBI por investigar esses incidentes e apresentar acusações contra o suposto perpetrador”.

Ainda segundo o NYT, Bernardini também tinha como alvo uma agência de scouts sediada em Nova York. Ele configurou páginas de login de impostor que faziam com que suas vítimas digitassem seus nomes de usuário e senhas, o que deu a ele amplo acesso ao banco de dados da empresa. O esquema atingiu editores dos EUA, Suécia e Taiwan, entre outros países. Ainda segundo a investigação, Bernardini criou contas de e-mail falsas em mais de 160 domínios da Internet, "personificou centenas de pessoas distintas e se envolveu em centenas de esforços para obter de forma fraudulenta cópias eletrônicas de manuscritos aos quais ele não tinha direito".

Outra reportagem veiculada pelo Vulture traz detalhes do esquema e casos como o roubo do manuscrito do livro de Ian McEwan e da série Millennium, de Stieg Larsson, e conta como editores e agentes lidaram, nos últimos anos, com a desconfiança dos próprios colegas do ramo.

Tags: manuscritos
[07/01/2022 09:30:00]