Para quem mora nas cidades grandes, esse jeito de vender livros não passa de um passado démodé. Mas eles ainda existem. Ao longo dos anos, eles se reinventaram, mas há ainda no Brasil adentro pessoas que atravessam o lamaçal da Transamazônica, por exemplo, com a missão quase que de levar o livro onde quer que o leitor esteja.
Muitos desses camaradas se reuniram na última semana para o Salão de Negócios da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), em Bento Gonçalves (RS). Além de Capital Nacional do Vinho, a cidade gaúcha é aquela exceção que confirma a regra: é, relativamente, bem-servida de livrarias. Para uma população de menos de cem mil habitantes, há pelo menos quatro livrarias. Aquém da recomendação da Unesco - de uma para cada grupo de dez mil habitantes -, mas além da média nacional.
O Podcast dessa semana foi feito diretamente de Bento Gonçalves. Leonardo Neto, editor-chefe do PublishNews esteve lá, conversando com livreiros, editores e dirigentes da entidade que reúne os elos que atuam nesse segmento, o terceiro canal de vendas de livros no Brasil, de acordo com a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro. As editoras respondentes da pesquisa apontaram que faturaram R$ 195 milhões com a venda de livros nesse segmento.
A mineira Tânia Lima, da Maluco por Leitura, também participou do programa. Ela conta que encara o seu trabalho como uma missão: ir onde tem leitor. "Já me ofereceram várias propostas de montar livrarias. Essa coisa de ficar com o livro parado, esperando o leitor vir até o livro, acho um pouco ultrapassado. O livro tem que ir até o leitor por que, daí, ele capta tanto aquele que tem condição e quer ir até o livro como também aquele q se distraiu um pouquinho, esqueceu que o livro é um bom passeio, que o livro é uma coisa bacana. Se você vai até ele, não tem escapatória", brinca.
Na entrevista, ela defende um "preço justo" do livro: "Estou interessado em comprar um livro bom - que tenha temas atuais, que oriente a população a pensar, que vá levar o leitor a curtir - e com o preço justo. E quando você tem um preço justo, você vai atingir A, B, C, D e E. Porque todas essas faixas leem. A diferença é que A tem dinheiro e E não tem, mas E gostaria de ler o livro que A lê. É preciso tentar chegar a um preço justo. Sei que as coisas são difíceis, que há um monte de coisas por trás do preço do livro, mas a gente tem que tentar chegar num preço bacana para atender a todos", argumentou.
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