Nau à deriva
PublishNews, Leonardo Neto, 12/05/2014
Com 22 anos de estrada, Nau Editora lança sua primeira coleção de literatura

Liguem seus aparelhos de GPS! A Nau Editora, que há 22 anos está no ramo dos acadêmicos, começa a trafegar por mares nunca dantes navegados. A editora acaba de lançar a série Deriva, a primeira dedicada à literatura e, de cara, vai sair com dois livros. O primeiro deles, Para a próxima mágica vou precisar de asas, livro de minicontos do israelense Alex Epstein que acaba de ser lançado. Inédito no Brasil, o autor ganhou o Prêmio Primeiro Ministro de Literatura (2003), em Israel. Como o próprio nome propõe, a coleção não tem rumo certo e lançará também um não ficção. Em pleno voo, no qual a escritora e ensaísta norte-americana Kelly Corrigan entrelaça relatos de sua própria experiência em ter filhos com histórias de mulheres que aprenderam a lidar com os riscos e as alegrias da maternidade. De acordo com Simone Rodrigues, diretora editorial da Nau, o nome Deriva veio há cinco anos, quando a editora, frente à meta de expandir seus horizontes, pensou em publicar livros infantojuvenis. “O projeto original era entrar na área de literatura infantojuvenil, só que não ficamos satisfeitos com a pesquisa e isso nos levou para o geral adulto”, conta. Essa mudança na rota, que deixaria qualquer um à deriva, abriu um novo caminho para a editora. O projeto de investir nos pequenos leitores ficou ancorado no porto, a espera de projetos. “Não desistimos da literatura infantojuvenil, mas adiamos”.

“O desvio da proposta inicial já é um sintoma da proposta que queremos dar à nova série”, conta Simone. Na proa da série, cabem livros tanto de ficção quanto de não ficção; autores nacionais e internacionais; contos, romances, ensaios... Uma grande variedade de contêineres em cima da mesma embarcação. “É um conjunto baseado na diversidade, com linguagens múltiplas, sem grandes padronizações”, avalia. Mas Simone aponta um elemento em comum nos livros: o envolvimento afetivo da equipe. “Esse é o componente mais importante para a gente. Os títulos vieram a partir de parceiros que se apaixonaram pelos projetos”, conta. Nesses dois primeiros títulos, por exemplo, os proponentes Aline Pereira (Em pleno voo) e Aldo Medeiros (Para a próxima mágica vou precisar de asas) entraram como co-produtores das obras. “Eles não foram só tradutores ou agentes das obras, entraram como investidores também”, conta Simone. O investimento não foi apenas em trabalho, mas também financeiro. De acordo com Simone, eles cotizaram os direitos autorais dos livros e entraram como sócios na produção. “Sabemos todos que é um risco, mas justamente por isso, rola uma cumplicidade que faz com que o compartilhar do processo tenha um sabor diferente”, conta Simone. O primeiro romance deve sair ainda esse ano e será uma obra da húngara Terézia Mora, que ganhou, ano passado, o Prêmio Alemão do Livro.

A Nau promete para breve versões digitais dos livros que estão sendo lançados pela Deriva. O livro de microcontos de Alex Epstein sairá em digital logo logo e o romance de Terézia Mora também está em negociação.

[12/05/2014 00:00:00]