Nem só de literatura vive a Flip. Na última quinta-feira, por exemplo, o arquiteto português Eduardo Souto de Moura e o americano Paul Goldberger, crítico de arquitetura, conversaram sobre o papel da história e da sociedade nas criações arquitetônicas. A mesa foi mediada pelo crítico literário e editor Ángel Gurría-Quintana, que iniciou o debate citando Mies van der Rohe: “A arquitetura é a vontade de uma época traduzida em espaço”. Para os convidados, a frase de Mies está certa apenas até certo ponto, pois os grandes arquitetos transcendem a vontade de sua época, além de buscar também a poesia. “Se a arquitetura apenas traduzisse a vontade de uma época, as cidades se pareceriam com a Barra da Tijuca”, brincou Goldberger.
Interpelado sobre qual seria o papel do processo na criação de uma grande obra arquitetônica, Goldberger respondeu que, para o crítico, o que deve importar no final das contas, é o resultado. O processo é importante para o arquiteto, mas o crítico não deve focar o processo, e sim a construção.
Sobre o papel da crítica, Souto de Moura apontou que sua obrigação é não permitir que as expectativas em torno do arquiteto ofusquem o próprio resultado final, ou seja, o prédio em si. A crítica deve manter o equilíbrio entre a fama e as ambições do arquiteto e o resultado final, sem simplesmente adjetivar de maneira reducionista o trabalho arquitetônico.






