Fórum das Letras movimenta as ladeiras de Ouro Preto
PublishNews, Iona Teixeira Stevens, 26/11/2012
Evento terminou no último domingo

Os participantes do Fórum das Letras de Ouro Preto cabem quase todos numa grande mesa de madeira. E é uma mesa muito legal. Entre chopps e mexidões mineiros, novos escritores, autores consagrados, jornalistas e editores trocam figurinhas com professores e alunos da Universidade Federal de Ouro Preto, a Ufop. Assim é a Flop, uma antítese das grandes feiras de literatura, sem filas gigantescas, horários rígidos ou perguntas perniciosas. Participantes se deitam em travesseiros no chão do cine Vila Rica, enquanto Antônio Cícero fala de poesia e filosofia, e aspirantes a escritores levam seus manuscritos às palestras da oficina “Como se faz o livro”, que foi o tema do fórum deste ano. De certo modo, a Flop resgata o sentido original dos eventos literários: a troca entre o público e os autores.

Entre os destaques do evento estão a abertura do fórum, que teve apresentação de Nélida Piñon, a mesa sobre a produção de biografias, com Jorge Ferreira, Lucas Figueiredo e Paulo Markun, e a discussão sobre os rituais do escritor, com Fernando Molica, Bernardo Ajzenberg e Santiago Nazarian. O ciclo “Jornalismo literário” trouxe Cristiane Costa e Carlos Andreazza para discutir a linha tênue entre o trabalho do jornalista e o do editor, e a portuguesa Alexandra Lucas Coelho, que conversou sobre o texto jornalístico autoral, em uma das mesas mais interessantes da Flop. A oficina “Como se faz um livro” tratou os vários aspectos da publicação literária, onde jovens autores, como Luisa Geisler, agentes literários e editores experientes, contaram suas experiências. Mas o maior destaque foi a participação do público, que em todas as mesas apareceram com perguntas, provocações e sugestões pertinentes.

O fórum enfrentou algumas dificuldades este ano, em parte devido à relocação de Guiomar de Grammont, coordenadora do evento, que alterna sua posição entre Minc, Ufop e Record. Mas, com a mobilização da população e da universidade, os organizadores conseguiram fazer o fórum “a toque de caixa”. “A gente conseguiu captar apenas 230 mil reais, o fórum inteiro foi feito com esse recurso”, explica Guiomar. O apoio da editora Record também foi essencial para a realização do evento: “A Record apoia com uma doação muito generosa de livros e com o trabalho de profissionais, não tem entrada de recursos, essa entrada é na forma de serviços e produtos”, comenta a coordenadora.

Para o ano que vem, Guiomar quer um “envolvimento maior fora do fórum, começar o trabalho nas escolas em fevereiro, trazer mais organismos que têm literatura brasileira como foco” e já conta com parcerias com o Conexões, do Itaú Cultural, e o prêmio Portugal Telecom. Ao que tudo indica, o Fórum das Letras está caminhando para ser um marco da agenda cultural mineira. “O fortalecimento da identidade mineira não é negativa”, conta Guiomar. “Como diz Tolstoi, ‘fala da sua aldeia e falarás do mundo’, você pode falar de Minas e ser cosmopolita, sobretudo numa cidade que teve tantos movimentos literários como Ouro Preto”, complementa a professora.

[26/11/2012 01:00:00]