Neste final de semana, entre 27 e 29 de maio, o charmoso distrito de São Francisco Xavier, na fria Serra da Mantiqueira, recebeu mais de duas mil pessoas para a 4ª edição do Festival da Mantiqueira - Diálogos com a Literatura. A Tenda Principal recebeu onze autores em seis mesas, que discutiram e dialogaram sobre temas diversos como “A metrópole e seus personagens”, “Machos, machistas, fêmeas, feministas” e “Bom-mocismo”. Como já se tornou tradição no Festival da Mantiqueira, no sábado à noite foram anunciados os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2011. Eles participam de debates na Livraria Cultura durante o mês de julho (aguarde a programação).
A mesa com o músico Lobão, como já era de se esperar, foi das mais concorridas e cheia de polêmica. E fez bem a produção em chamá-la apenas de “Conversando com Lobão” porque a variedade de temas foi imensa. O anfitrião-mediador de todas as mesas foi mais uma vez o jornalista Cadão Volpato e sempre que um debate ia começar, o festival homenageava o já saudoso Moacyr Scliar com leituras de trechos de seus livros por Cadão e pela atriz Rosi Campos.
Ignácio de Loyola Brandão e Márcio de Souza cativaram o público com histórias de suas viagens por várias cidades do mundo em “A metrópole e seus personagens”, especialmente os episódios com João Ubaldo Ribeiro e Lygia Fagundes Telles. Além das viagens, outro assunto veio à tona: o livro Os cem melhores contos brasileiros do século, proibido de ser adotado em escolas públicas por conter textos com forte conteúdo erótico, como foi dito. Um desses textos é “Obscenidades para uma dona de casa”, do próprio Loyola.
Interessante no papo entre Luiz Ruffato e Sérgio Sant’Anna, “Falando de livros”, foi descobrir a grande diferença entre a formação escolar e a história “de leitura” de cada um dos autores. Enquanto Ruffato é filho de pais analfabetos e começou a frequentar a biblioteca para se esconder dos outros alunos da escola “porque era pobre e tinha vergonha deles”, Sérgio Sant’Anna tinha a casa cheia de livros e seus pais liam e falavam dois ou três idiomas.
Márcia Tiburi e Xico Sá falaram descontraída e irreverentemente sobre machismo x feminismo. Tiburi parecia sempre querer polemizar. “Não gosto dessa coisa de gênero. As pessoas são travestidas de homens e mulheres. Ou outra coisa que optem.” Já Xico Sá levava o tema na esportividade, sem abrir mão das suas opiniões. Perguntado sobre o quanto era feminista, respondeu: “sou muito feminista, até o ponto de não ser gay.” A plateia se divertiu.
O objetivo do festival de aproximar o público dos escritores foi alcançado. As mais de duas mil pessoas que passaram pelas tendas do festival puderam conhecer um pouco mais de cada escritor. Depois de cada mesa, os autores autografaram seus livros Livraria Saraiva, que foi a livraria oficial do evento.






