Selo Negro faz sessão de autógrafos no Museu Afro
PublishNews, Redação, 23/11/2010
Evento marca as comemorações pelo Dia da Consciência Negra

E as comemorações pelo Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, continuam no Museu Afro Brasil (Parque Ibirapuera - Portão 10. São Paulo/SP). Nesta terça-feira (23), das 19h às 22h, a Selo Negro Edições promove uma sessão de autógrafos dos livros Literatura negro-brasileira (152 pp., R$ 21) e Imprensa negra no Brasil do século XIX (184 pp., R$ 21), da coleção Consciência em Debate, e João Cândido (128 pp., R$ 21), da coleção Retratos do Brasil Negro, lançados recentemente. As coleções, coordenadas por Vera Lúcia Benedito, pesquisadora dos movimentos sociais e da diáspora africana no Brasil e no mundo, têm como objetivo debater temas prementes da sociedade brasileira e abordar a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra.

No livro Literatura negro-brasileira, quarto volume da Coleção Consciência em Debate, o escritor e pesquisador Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, analisa a participação do negro, como personagem, autor e leitor, na literatura brasileira. Escritor profícuo e grande pesquisador, Cuti destaca os precursores e a nova geração dessa corrente - que alcançou um patamar significativo com os trinta anos de edição ininterrupta dos Cadernos Negros, coletânea anual de poemas e contos. "A literatura é alimento para o nosso imaginário, que se move o tempo todo, recebendo, produzindo e reproduzindo ideias, palavras, frases, imagens sobre o que somos como pessoa e povo", revela o autor.

Já em Imprensa negra no Brasil do século XIX, também da Coleção Consciência em Debate, a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto resgata títulos da imprensa negra oitocentista publicados em cidades e períodos diferentes. Pioneira, a obra aborda a experiência da liberdade e da cidadania, destacando a utilização da imprensa como um instrumento de resistência negra em pleno sistema escravagista. Fruto do trabalho de homens negros livres, cuja cidadania era reconhecida pelas Constituições de 1824 e 1891, os periódicos denunciaram e combateram os entraves criados à garantia desse direito em variados espaços da sociedade da época - ainda organizada com base na escravidão de africanos e de seus descendentes.

Pela Coleção Retratos do Brasil Negro, o jornalista Fernando Granato lança a biografia de João Cândido. A obra revela quem foi esse líder negro, que Granato considera o primeiro herói do século XX. Exatamente no ano em que a Revolta da Chibata completa 100 anos, a obra resgata a história do "Almirante Negro", um símbolo da luta contra a opressão no Brasil. Resultado de dois anos de pesquisa - nos arquivos da Marinha e da Biblioteca Nacional e em entrevistas com familiares de João Cândido -, o livro pretende iluminar um período pouco conhecido da sua história: a fase que vai de sua absolvição até a sua morte, no Rio de Janeiro, em 1969, aos 89 anos.
[23/11/2010 01:00:00]