“Hoje, devido a uma evolução que ainda vai demandar tempo para ser bem entendida, o termo sustentabilidade passou a servir a gregos e troianos quando querem exprimir vagas ambições de continuidade, durabilidade ou perenidade”, avalia o economista José Eli da Veiga, professor da FEA-USP. Veiga afirma que esse termo não pode ser entendido como um conceito e sim como um valor. Ele é autor de Sustentabilidade – a legitimação de um novo valor (Senac São Paulo, 180 pp., R$ 35).
Patrocinado pelo Itaú, o livro será lançado hoje (22), às 15h30, no Centro da Cultura Judaica (Rua Oscar Freire, 2.500 – Pinheiros – São Paulo/SP), em mais uma edição do “Diálogos Itaú de Sustentabilidade”. O debate contará com a presença de José Eli da Veiga, do economista Eduardo Giannetti e do cientista político Sergio Abranches. A mediação será de Marina Silva. Para participar é preciso se inscrever pelo número 0800 773 2626.
O livro é uma longa resposta à pergunta: o que é sustentabilidade? O autor mostra que é imprescindível a conscientização de cidadãos e poder público sobre a necessidade do término da era fóssil. Desmistifica também muitas ideias propagadas como a de que sustentabilidade implica durabilidade das organizações. Segundo Veiga, “pode ocorrer exatamente o inverso. Nada impede que a sustentabilidade sistêmica da sociedade exija renovadores choques de destruição criativa”.
Em quatro capítulos encadeados, o autor avalia a importância de reduzir a insustentabilidade no Brasil e no mundo, mediante a transição para uma economia de baixo carbono e para outra perspectiva de crescimento econômico. Inicialmente, debate as três abordagens do termo - a convencional, a ecológica e a que está em busca de uma terceira via –, contextualizando cada uma delas.
Em seguida, discute a necessidade de se criarem mecanismos para reduzir a imensa disparidade de capacidades tecnológicas entre o Primeiro Mundo e a semiperiferia ou os emergentes. Para o autor, essa discrepância faz com que a transição para o baixo carbono nesse segundo grupo de países se torne mais lenta. Por isso é difícil prever o rumo da descarbonização.
“Algumas iniciativas podem nos ajudar a traçar um panorama, como as ações adotadas por Inglaterra e França. O Reino Unido planeja chegar em 2020 com emissões 18% inferiores às de 2008 e a França pretende cortar três quartos de suas emissões até 2050”, diz José Eli.
Sobre o autor
José Eli da Veiga, 62, é professor titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), pesquisador de seu Núcleo de Economia Socioambiental (NESA), e orientador do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (IRI-USP). Escreveu e organizou 19 livros. É colaborador permanente das colunas de opinião do jornal Valor Econômico e da revista Página22. Para outras informações sobre o autor, visite seu site.






