Escritores até podem fazer um esforço para escrever sobre outras coisas que não sejam do cotidiano, mas no fim das contas todo mundo só tem o cotidiano. Essa é a opinião de Adélia Prado, que participou neste sábado (13), com Edney Silvrestre, da mesa Literatura, identidade, verdade no Fórum das Letras de Ouro Preto.
“Arte é inteligência e é a expressão do afeto das pessoas. E a expressão do afeto está ligada às necessidades primárias”, disse a poeta mineira que acaba de lançar, 20 anos depois de seu último livro, A duração do dia (Record). “A literatura tem sangue, é suja, tem excremento, suor e lágrima”, completou. Para Adélia, que já sofreu preconceito por ser “só uma dona de casa mineira”, “não há transcendência que não passe pela cozinha e pelo banheiro”.
Neste encontro mediado por Leda Nagle, Adélia Prado falou sobre literatura, contou histórias do passado, leu Drummond e concentrou boa parte de sua fala no tema fé e religião – do qual a mediadora não conseguia sair.
Edney Silvestre, recém-premiado com o Jabuti e com o Prêmio São Paulo de Literatura, disse que também estava ali para ouvir Adélia e até ensaiou algumas perguntas, mas contou que seu livro Se eu fechar os olhos agora (Record) não existiria se não fosse a cobertura que fez do 11 de setembro, do caso do menino João Hélio e de todos os fatos que já cobriu. Por isso, não se vê só como jornalista ou só como escritor. Tanto que no dia seguinte à entrega do Prêmio São Paulo, ele já estava na porta de uma delegacia esperando para fazer uma matéria.
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