A 56ª Feira do Livro de Porto Alegre foi aberta na última sexta-feira (29) e já superou as expectativas de venda da organização. Nos primeiros quatro dias, foram comercializados 86.561 livros, um aumento de 8% em relação ao mesmo período da edição passada. O bom tempo e o feriado prolongado podem ter ajudado a lotar a feira de famílias, cuias, gremistas e colorados, e os expositores seguem perseguindo a meta de vender 400 mil livros até o dia 15 de novembro, quando as 155 bancas de livros fecham suas portas.
Oficialmente, a feira foi aberta na noite de sexta no lotado Teatro Sancho Pança, no Cais do Porto, mas desde o começo da tarde, quem passava pela Praça da Alfândega já se encostava às bancas à procura de um bom desconto. À noite, apresentação da Banda Municipal de Porto Alegre, os tradicionais discursos (só Yeda Crusius faltou à festa), uma das várias homenagens que o folclorista Paixão Côrtes, patrono desta edição, receberá até o fim da feira e o primeiro badalar do sino de José Júlio La Porta, o “xerife” de 79 anos que há mais de três décadas repete o gesto na abertura e no encerramento do evento.
Júlio La Porta e Paixão Côrtes, aliás, eram duas celebridades na feira orgulhosa de suas tradições. Por onde passavam, os dois eram aplaudidos. Na tarde de sexta, diversos grupos regionais fizeram um cortejo pela praça em homenagem a Côrtes e em agradecimento pelos anos de estudo que dedicou à preservação das tradições gaúchas.
A feira
A primeira edição da feira do Livro de Porto Alegre aconteceu em 1955 com apenas 14 barracas. Hoje, espalhadas por 24 mil m2, estão 155 bancas de editoras, livrarias, distribuidoras, sebos e creditistas. Só a área infantil fica um pouco mais distante, mas os visitantes e expositores são recompensados com a brisa do Guaíba e, eventualmente, com o famoso pôr-do-sol (o que não foi o caso nos dois primeiros dias).
Diferentemente das demais feiras do livro, lá não há ostentação. Quem expõe escolhe entre a banca grande ou a pequena, faz alguns poucos ajustes na decoração e pronto, a feira está montada. As únicas que fugiam a essa regra ficavam na área internacional, onde eram encontrados livros importados, dicionários e os estandes de entidades representativas de outras culturas, como a polonesa e a espanhola, por exemplo.
Na área infantil, parecia regra as gurias estarem vestidas de rosa ou de lilás e os guris, com camisa do Grêmio ou do Inter. Além das bancas, muito organizadas e coloridas, a programação para a molecada se estendia pelos armazéns do porto. Havia salas para contação de histórias, para apresentação teatral, para usar a internet e mais. E a participação era sempre grande e animada. No sábado à tarde, depois de ouvir história, cantar e dançar, um grupo de crianças não queria deixar a sala.
Mas nem só de livros é feita a feira. No centro da praça, a rede de supermercados Zaffari, que é também uma das patrocinadoras do Prêmio Passo Fundo Zaffari Bourbon, entregue bienalmente na Jornada Literária de Passo Fundo, montou um coreto onde há diariamente música ao vivo às 18h. Vale a pena.
Atividades culturais
A programação é descentralizada e se espalha pelos centros culturais da praça e pelo Cais do Porto. Na tarde de sábado, por exemplo, Fabrício Carpinejar engatava um aforismo no outro no estande da Caixa enquanto o psiquiatra Flavio Gikovate falava sobre sexo, tema de seu novo livro pela MG Editores, no Memorial do Rio Grande do Sul, Graça Pizá terminava a apresentação do afetosecretos (Imprensa Oficial/Clínica Psicanalítica da Violência), no Santander Cultural, e Thalita Rebouças, no Teatro Sancho Pança, se preparava para falar para a meninada sobre o Ela disse, ele disse (Rocco), que pouco depois teria sua primeira sessão de autógrafos.
A fila para conseguir um autógrafo da musa teen começou bem antes do fim de sua palestra. Na fila, as meninas estavam quietas e concentradas na primeira leitura do livro recém-comprado. Quando chegava a vez delas, já estavam eufóricas. Ganhavam o abraço da escritora, posavam para fotos e saiam saltitantes com o livro devidamente assinado e beijado.
Exemplo
Realizada desde os anos 50 neste mesmo espaço público, a Feira de Porto Alegre deveria servir de exemplo para muitas cidades, especialmente as portuárias que discutem, há anos, formas de integrar seus portos à cidade. Além da feira do livro, a maior a céu aberto em todo a América, a Praça da Alfândega abriga o Margs, Centro Cultural Santander, Memorial do Rio Grande do Sul e o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. E dali, basta atravessar a avenida Mauá para se chegar ao cais, onde acontece a Bienal do Mercosul. Se andar para o outro lado, encontra a Casa de Cultura Mario Quintana. Um lugar mesmo especial.
A cobertura da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre pelo PublishNews tem o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.





