Uma mulher solitária recorre a um especialista na esperança de “renovar o órgão primeiro, o bombeador de sensações, a casa mais íntima de um ser humano”. Um homem tira dúvidas numa esquina qualquer. Uma moradora de rua é violentada. Um jovem viajante é forçado a tomar uma vacina. Velhos passeadores de cães desaparecem sem deixar rastro. Nos contos de E se amanhã o medo (Língua Geral, 120 pp., R$ 32), Ondjaki concebe um mundo mágico e intimista, numa prosa de tom sereno e melodioso, por vezes absurda. Agrupadas em duas partes — “Horas tranquilas” e “Conchas escuras”, títulos emprestados de Lavoura arcaica, de Raduan Nassar — e repletas de referências musicais e literárias, as vinte breves narrativas que compõem a obra apresentam personagens que refletem o aspecto dramático da vida e conduzem o leitor por paisagens poéticas ora fantásticas, ora realistas. Publicado pela primeira vez em 2005, recebeu os prêmios Sagrada Esperança (Angola) e António Paulouro (Portugal).






