A história do artista sergipano Arthur Bispo do Rosário, descendente de negros católicos e que passou boa parte de sua jornada desenvolvendo objetos como miniaturas, escritos, vestimentas e bordados, com uma trajetória marcada pela esquizofrenia e paranóia, foi retratada pela mestre em história e doutora em sociologia, Marta Dantas. Arthur Bispo do Rosário - A poética do delírio (Unesp, 221 pp., R$ 48) retrata a vida e obra do artista falecido em 1989 e revela o objetivo de Rosário como análogo ao seu projeto surrealista: a vida transformada em arte.
Em busca das interpretações do imaginário coletivo, Marta recorre ao desvio do olhar técnico do espectador em função de uma percepção mais familiarizada à obra de Bispo, caracterizada por sua intensa expressividade. Questiona sua categorização como arte racionalista, que tem como referência a racionalidade artística. Em A poética do delírio, a autora trabalha justamente com o desvio da racionalidade artística e a própria relação entre a arte e a vida.
De acordo com a autora, "muitas vezes, a experiência artística nasce da interrogação da vida pela perspectiva da morte. Para recuperar a história desse artista é preciso falar da morte, ou melhor, analisar a sua atitude perante a finitude da vida nos dará a dimensão da relação que sua obra tem com a vida, pois ela nada mais é do que a finitude desta se abrindo para a infinitude da arte."





