A revolução cubana teve dois grandes líderes unidos pela ideologia e pela amizade e separados por suas escolhas. Enquanto Ernesto Che Guevara abdicava do poder estabelecido para aventurar-se na África e na América do Sul, Fidel Castro administrava um regime centralizado em seu país natal. Sobre essas duas figuras é que se debruça o autor Simon Reid-Henry em Fidel e Che - Uma amizade revolucionária (Globo, 576 pp., R$ 69,90 – Trad. Beatriz Velloso), com pesquisas feitas em Havana, Washington, Moscou, Miami, Princenton, Boston e Berlim – além de entrevistas com testemunhas da época. O título mostra que, a partir de uma associação política, inicia-se um relacionamento de amizade e camaradagem que mudaria de fato suas vidas.
Desde os encontros preparativos da expedição revolucionária no México até os últimos dias de Guevara, já cercado nas montanhas bolivianas sem esperança de fuga, enquanto Fidel vivia os dias mais duros da Guerra Fria em Havana, o autor percorre os caminhos políticos dos dois líderes, mas sem perder o foco no tema principal: o envolvimento pessoal. Entre o mito, de Che, e o sempre equívoco destino humano, de Fidel, está a morte do primeiro a lhes separar. Guevara abandonou Cuba uma vez concluído o processo revolucionário para morrer em combate na selva. Fidel administra há 50 anos um estado burocratizado. A pesquisa de Simon Reid-Henry têm o dom de devolver ao leitor, para além da história oficial, a figura desses dois homens.





