O Corinthians completa em 2010 um centenário de conquistas, luta, garra, força de vontade, paixão pelo futebol, esperança, tradições e muito sofrimento. Para comemorar esse aniversário, celebrado no dia 1º de setembro, o jornalista André Martinez convida o leitor para reviver essa história através do livro Centenário do Corinthians (Larousse do Brasil, 283 pp., R$ 29,90). Os ídolos que passaram pelo clube e as histórias de bastidores do timão são relembrados no livro, que ainda traz os principais campeonatos, os gols mais importantes, os momentos sofridos e os mais alegres. Relata as peripécias de Neco, a categoria de Cláudio, a irreverência de Luizinho, a genialidade de Rivelino, a inteligência de Sócrates, a garra de Wladimir, Goiano e Biro-Biro, a rebeldia de Casagrande, as cobranças de falta de Marcelinho Carioca, o talento de Carlos Tevez e, agora, os gols de Ronaldo.
A história do clube começa no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, onde montar um time de futebol era o assunto preferido dos funcionários da estrada de ferro São Paulo Railway. A ideia surgiu de cinco operários – os pintores de parede Antônio Pereira e Joaquim Ambrósio, o sapateiro Rafael Perrone, o motorista Anselmo Correia e o trabalhador braçal Carlos Silva. Encantados com as exibições do Corinthian Team, a melhor equipe da Inglaterra na época, os amigos batizaram, no dia 31 de agosto de 1910, na esquina da rua dos Italianos com a rua José Paulino, o recém-nascido time do Bom Retiro de Sport Club Corinthians Paulista.
Em ordem cronológica, o autor passeia por momentos marcantes do clube, como o dia em que nasceu o apelido “Timão!”: Em 2 de março de 1966, dia do jogo entre Corinthians e Vasco pelo torneio Rio-São Paulo, no Pacaembu, o jornal A Gazeta Esportiva estampou em sua primeira página: “Vocês vão ver como é Ditão, Nair e Mané”. O Corinthians colocaria em campo pela primeira vez seus três principais reforços para a temporada: Ditão (zagueiro contratado junto à Portuguesa de Desportos), Nair (experiente volante que também havia chegado junto com Ditão da Portuguesa) e Garrincha. A imprensa paulista tratou então de criar um apelido para esse novo time do Corinthians com seus reforços de peso: Timão.
O fim do jejum de 23 anos sem vencer um campeonato também é destaque na obra. A mítica partida aconteceu numa quinta-feira, 13 de outubro de 1977, contra a Ponte Preta. Finalmente, os sofredores torcedores puderam gritar “é campeão” após o gol do “Pé de Anjo” Basílio. Sobre o maior rival do Corinthians, o autor narra histórias engraçadas que marcaram alguns jogos com o Palmeiras – a história do galo verde depenado é uma delas. A ave foi solta em pleno Parque São Jorge, durante uma partida entre as duas equipes. Após a vitória corinthiana por 2 a 0, com dois gols de Teleco, o galo acabou depenado pela Fiel torcida. Uma das penas pintadas de verde se encontra guardada até hoje na sala de troféus do Corinthians.





