Em Metendo o pé na lama - Os bastidores do Rock in Rio de 1985 (Tinta Negra, 264 pp., R$ 39,90), livro de Cid Castro que será lançado hoje (27/01) na Livraria da Travessa - Shopping Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A. Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3138-9600), a partir das 19h30, o publicitário que criou a marca do mega evento - aquela que traz o mapa da América Latina desenhado no braço de uma guitarra - conta episódios que fizeram da gigantesca festa rock uma ocasião inesquecível para milhares de pessoas. Na época assistente de ilustração da Artplan, a agência de publicidade responsável por todo aquele barulho, Cid foi testemunha de todos os passos rumo à Cidade do Rock, desde que Roberto Medina deixou um bocado de gente de cabelo em pé ao anunciar que faria o maior festival de todos os tempos. O livro ainda contém depoimentos exclusivos de artistas que se apresentaram e jornalistas que cobriram o festival, além de imagens marcantes do evento que há 25 anos se consagrou como o maior e melhor da história do rock.
No livro, Cid detalha das dificuldades em conseguir um patrocinador até os peculiares hábitos dos astros internacionais, trazendo com riqueza de detalhes como foram os bastidores do festival. Foi nos bastidores, afinal, que ele viu a turma do Whitesnake substituir a atitude hard rock por inocentes flexões e sucos naturais. Testemunhou o piti de Fred Mercury, que, alegando uma “indisposição”, recusava-se a entrar no palco. Presenciou o sufoco da produção, que teve de percorrer, às pressas, todos os motéis da Barra e de Jacarepaguá para satisfazer a uma exigência de última hora de Rod Stewart: 70 toalhas brancas em seu camarim. E ficou surpreso ao constatar que Ozzy Osbourne preferia devorar pratos de salada a pintinhos e morcegos. Colega de agência de um então desconhecido Nizan Guanaes e pupilo do papa da ilustração José Luís Benício, Cid Castro conta também a apreensão do clima carioca nos meados dos anos 80, quando a abertura política enfim se concretizava, e a juventude, por tanto tempo oprimida, curtia não só o rock como os outros elementos da famosa tríade: o sexo e as drogas.





